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Mostrando postagens de Novembro, 2006

ESPERA DESESPERADA

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ESPERA DESESPERADA
por Paulo da Vida Athos
Preciso de teus braços toda noite... Quando a natureza emudece os tímpanos e se recolhe em sombras.
Preciso de teus beijos para a revelação, para a minha boca vazia, em meu corpo trançado de solidão.
Preciso mergulhar feliz e calar meu grito desesperado, como a lua faz... na imensidão do mar.
Preciso mergulhar em ti, a começar nos lábios!
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Desencontro

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DESENCONTRO



por Paulo da Vida Athos.


Passou por mim,
como a brisa.
Nem percebeu meu olhar de espanto,
em seu encanto de ser.

Passou leve, como o vôo da gaivota
que corta a vermelhidão do acaso.

Se foi por acaso, nem sei.

Mas se dela fotografei a imagem
e roubei o perfume.
De meu carregou o pensamento
e o sonho.

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Gratidão aos Ventos

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GRATIDÃO AOS VENTOS



por Paulo da Vida Athos

Ventos indomáveis de meu destino,
de mil destinos e tantas encruzilhadas,
e desses obstáculos todos pelos quais passo,
digam-me lá: de vós, quem é o Regente?


Quero isto apenas, e tão-somente,
para agradecer comovido os dias plácidos
que me contempla a vida em doces doses,
como se fosse mel a me escorrer na face,
como se fosse a paz de uma prece
alçada de um coração agradecido.


Quero tão-somente isto, apenas,
para amaldiçoar terrível as minhas dores
e esses temores que me assolam nalguns dias,
quando trafegam livres as minhas penas,
como se fosse sangue a me correr na face,
como se fosse um brado de furor e guerra,
como se fosse alado num estertor de morte.


Sim...
Preciso ser preciso em minhas digas,
sejam elas concebidas no cristal do amor
ou no aborto furioso de minhas iras!


Quero apenas o nome, o endereço certo
desse Regente fantástico e indecifrável
que urde absoluto os meus destinos,
misturando paz e ansiedade
tal como um jogo entre meninos...


Aí então, de posse do…

Com memória

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"Arco da Maldade", de Oscar Niemayer
Com Memória.


“Só vos peço uma coisa: se sobreviverdes a esta época, não vos esqueçais! Não vos esqueçais nem dos bons, nem dos maus. Juntai com paciência as testemunhas daqueles que tombaram por eles e por vós.

Um belo dia, hoje será o passado, e falarão numa grande época e nos heróis anônimos que criaram a História.

Gostaria que todo mundo soubesse que não há heróis anônimos. Eles eram pessoas, e tinham nomes, tinham rostos, desejos e esperanças, e a dor do último de entre os últimos não era menor do que a dor do primeiro, cujo nome há de ficar. Queria que todos esses vos fossem tão próximos como pessoas que tivésseis conhecido como membros da vossa família, como vós mesmos.”
In Testamento sob a Forca - Júlio Fuchik - Edit. Brasil Debates, 1980
Clique e baixe o livro de Dom Evaristo Arns DOSSIER DOS MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS BRASIL”, completo em doc.

A terceira face

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Muitas vezes ao longo da guerra, os mais bravos guerreiros sentem vontade de abandonar as armas e o campo da batalha. Existe o cansaço físico e o mental, e esse estado cria o espetáculo da luta que o guerreiro trava com ele mesmo.

Mas o guerreiro sabe que não pode parar para descansar. Aprendeu com a Vida que a moeda, ao contrário do que dizem, tem três lados.

A cara, a coroa, e o espaço que liga ambas, quase não notado, que fica evidente quando colocada na vertical.

Essa terceira face chama-se Esperança.

E esse equilíbrio, ele tenta pender para o lado justo com suas digas, com sua espada, com suas palavras.

Ou então, cansado, apenas aponta um endereço, como faço agora, e suplica:

-“Vá! Visite! Convide!”

Julgue...

http://www.ekincaglar.com/coin/flash-br.html

Paulo da Vida Athos.

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Meu norte

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MEU NORTE

"A Rebeldia tem seu tempo de infância, de adolescencia, quando passeia com o Anarquismo para depois flertar com o Comunismo. Mas quando atinge a maturidade, se atingir, casa mesmo é com a Democracia Social. Um social democrata - que não pode ser confundido com o socialista ou com o neoriberalista - é essencialmente um democrata que se preocupa com o quadro social, mas vigiando de perto as liberdades individuais conquistadas. E que luta, sempre, por mais conquistas sociais buscando chegar ao máximo de proximidade com aquilo que é utópico em seus ideais: a Justiça Social."

(Paulo da Vida Athos)

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Feitiço

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FEITIÇO


por Paulo da Vida Athos


Procuro alguém que faça para mim um crepúsculo momentâneo
e me ponha nele, para conversarmos.

Preciso de um alguém, que se banhe em verdade,
de alguém que dance com os mesmos movimentos de minh’alma,
que se desperdice em meus sonhos e me aceite homem e, poeta!

Homem em crescimento, em extensão,
confiando nesse abandono,
sem por um momento sequer achar
que realmente não é isso que sinto
e que as quimeras do poeta não vistam verdade em minhas palavras,

Que não duvide do que sinto,
e nunca do que digo, permanentemente!

Procuro alguém que queira conhecer um pouco de mim;
não do ouro ou da idade,
não da morenice ou do musgo olhar,
e se envolva “apenas” no que me envolve o físico:
- a minha imagem espiritual.

Sim , que comece pelo espírito,
é a coisa que lhe estará mais próxima,
albergue a minha mente e, temporariamente, a alma.

Da mesma forma que faço,
quero que me coroe em versos, eu adoro poesias...

Em troca revisto-lhe o corpo em frases,
em meus poemas que contam toda a minha his…

Imprensa: liberdade com ética!

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O que se viu ao longo da história foi uma imprensa despida de pudor.

Houve liberdade, mas sem ética.

Acabrestados por seus patrões, partícipes dessa elite corrosiva que assola o Brasil e o povo brasileiro há décadas, repórteres, âncoras de programas jornalísticos, e muitos afamados articulistas, atropelaram a Ética em razão de seus interesses políticos ou irreveláveis.

No plano pessoal, temos casos famosos como a Escola de Base, Bar Bodega, Crime da Rua Cuba, Professor Leonardo (caso TAM), Esther Kosovski, entre tantos.

Imprensa com Ética é pilar da Democracia.

Imprensa sem Ética fomenta golpe e é porta-voz de ditadura.

Em nome da Liberdade de Imprensa mentir para o povo deixa de ser liberdade!

É crime!

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Entrega Incondicional

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ENTREGA INCONDICIONAL


Ter teu corpo assim entregue,
lânguido e incendiado por meus toques.
Alvo como areias de praia, como emprenhado por lua,
Nua
e vestida por todos os meus sonhos e desejos,
e por meus beijos.

Ter tua pele entregue ao furor de minha boca,
ao mergulho que me incendeia em teu calor.
Ouvir-te os murmúrios, os gemidos a enlouquecer-me a mente
enquanto te enlouqueço em mim,
inteira!

Ter tua boca em entrega incondicional à minha boca,
ao passeio vertiginoso em tuas pernas,
impregnando-me com teu cheiro e teu perfume,
enquanto teu orgasmo atravessa a mim e a tarde,
e meu esperma a ti e à vida,
nisso que é entrega e posse,
loucura, pesadelo e sonho.

Ter tuas pernas e teus seios assim entregues.
Teus olhos como a redescobrir a luz
e tua mãos e tua boca a buscar meu ventre,
na busca insaciada de meu sexo.

Ter-te assim entregue...
é nada!

Se, nem por um segundo apenas,
me entregaste a alma!

Paulo da Vida Athos

Deus não tem cara, Ele é o cara!

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Deus não tem cara, Ele é o cara!


por Paulo da Vida Athos.


Judeus, católicos, muçulmanos, hindus, evangélicos, budistas, candomblecistas, umbandistas, espiritualistas, nada mais são que modos ou maneiras de se olhar e tentar decifrar o Indecifrável, a face de Deus.

Nessa quadra do tempo, muitos se deixaram iludir por promessas e outros tantos misturaram o que é do homem com o que é de Deus, perdendo o sentido da infinitude metafísica de Deus.

Homens e religiões pretendem o monopólio da verdade, mas a Verdade de Deus é intangível.

A existência de Deus é para mim uma certeza plena, na medida em que Ele se revela no olho de cada aurora e se estende na linha que divide o horizonte onde os oceanos se encontram com o céu, naqueles instantes finais de um pôr-do-sol.

E Amor não é ter, é ser, é sentir.

A cara de Deus, é o Amor.

O Homem é divino, quando ama.

Então, é a cara de Deus sorrindo.

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Res Nullius

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RES NULLIUS



por Paulo da Vida Athos


Mulher a quem procuro sôfrego,
Na multidão de rostos
Que desembocam em meus caminhos.
Feita de sonhos,
Em minhas poesias.
Feita de mil auroras e crepúsculos,
De estrelas que infestam as noites
E de abandono, ao findar do dia.

Mulher, a quem busco sem me importar:
Origem, cor, raça, religião.

Se realizada ou destruída,
Se virgem, descrente,
Politizada ou não.

Feita de marcas
Imprimidas pela vida.
De sol e de chuvas.
De montanhas e desertos.
De sentimentos despertos
E solidão sentida.

Espero por você: coisa de ninguém...

Pois ainda que distante e perdida,
Não existe nada abandonado no universo,
Que não tenha um pouco de meu amor disperso,
Que não seja um pouco de meu abandono, também.


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Prece do adornecer em paz

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por Paulo da Vida Athos


Preciso agora de um pouco de paz, de só.
Um pouco de sol, sem sal, de só e solidão.

Não aquela solidão indesejada,
mas a solidão do poeta e do sonhador,
para embalar a alma e o corpo cansados.

Não é um cansaço de quem se larga ao léu,
como navio que perdeu o rumo e o norte,
como barco a deriva.

Não!

É descanso de quem se ama
e que, porque se ama, gosta também do só,
do só estar,
assim nesse só sem saudade,
vazio de dor,
completo de amor,
vivido com sonhos
e realidades que cirandam ao seu redor,
como a brisa faz com o jardim...

Daqui a pouco, vou dormir.
É...
Resolvi dormir mais cedo.
As horas me dizem
que em minutos breves
um novo dia se inaugurará na terra.

Estarei dormindo, creio.
Por isso me despeço agora,
Do tempo e do vento.
Mas sem quedar,
Sem deslembrar
Que as horas vividas e vívidas de amor,
hoje, são tesouros do amanhã.

E que elas urdirão
nossos mais belos sonhos.
Nossas recordações!

Amemos o dia que vai nascer.
Ah!, e os outros irmãos dele
que virão depois: também!

Amem.

Amém.

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