11 março 2010

De velas, vida e cais



De velas, vida e cais

Há uma tristeza infinita na Vida. Dessas, descarriladas nos vagões das noites, onde o vento assovia misturado ao uivo dos cães. Não é uma tristeza dizível, dessas que dissecamos em lágrimas para exorcizá-las. Não. É uma tristeza em cumulus nimbus que enegrecem o sol, apaga as estrelas ou qualquer luar boêmio, inundando as madrugadas.

A Vida está só. Só, de mim. Sente falta de meus risos, de meu sorriso, de meu olhar, e dos sons que faço quando liberto meus passos que desesperadamente focinham damas e calçadas, sem medo e sem destino, no breu dos becos ou na luz da Lapa, sem temer esquias sombras ou lâminas de um olhar vadio que escapa, nesses mares e amores.

Há, nela, uma tristeza voraz, que rosna, ruge e morde, numa convocação que presente não será atendida. E chora. Chora todas as horas que se perderam em minha demora. A Vida, é sempre jovem. E o tempo, passa.

Conheço a inexatidão do destino, que não comunga com indecisão de alma, nem com desapego de ser, de estar, de viver, de conviver, de rir, de chorar, de amar, de desamar, e amar, e bem amar, e mal amar, e mais amar, até o esgotar fênico do amor, mesmo que seja para morrer de amor.

A Vida está doída de minha ausência, da ausência desse amor que vive em mim, que transborda de mim, que mina em mim enquanto vai minando meu interior. Sou como uma velha caravela, rotas velas, fazendo água por todos os bordos e estibordos, enquanto amarrada ao cais, a sonhar oceanos.

O Tempo me ancora. E, passa.

A Vida chora sem mim.

Eu, morro sem ela.


Paulo da Vida Athos

Novo esbulho contra o Rio de Janeiro e o povo carioca e fluminense




Novo esbulho contra o Rio de Janeiro e o povo carioca e fluminense
Paulo da Vida Athos

É histórico esbulhocontra o Estado do Rio de Janeiro. Fruto da inveja e dos interesses subalternos primeiramente da corte portuguesa, depois dos cafetões da República, o Rio de Janeiro nunca se livrou de ser alvo da cobiça ou do ódio daqueles que são pobres de espírito, mas geralmente poderosos política ou materialmente.

Basta lançar um olhar para o passado, desde o início, quando surgimos na criação de Dom João III, nas Capitanias Hereditárias. Foi sempre um “pega-pra-capá”. Volta e meia alguém ou abandonava ou tirava uma lasca de nossas terras, em razão do interesse mais chão, o do ter, em detrimento da grandeza do povo e da terra fluminense.

Sou carioca da gema, mas não concebo, hoje, separar o Rio do Rio, a cidade do Estado e vice-versa, mesmo sabedor que a Lei assinada pelo presidente Ernesto Geisel, fundindo os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, Lei Complementar nº20 em 1974, tinha como objetivo primordial do grupo que estava no poder, justificar a construção da Ponte Rio-Niterói, onde ganharam oceanos de dinheiro em superfaturamento (não foi denunciado na época, claro. Quem o faria?), mas, o objetivo politico de Geisel e sua trupe para a fusão era brecar a força oposicionista do MDB no estado da Guanabara.

Agora que estamos juntos e misturados, vinho da mesma pipa, é chumbo pra todos os lados.

A última iniciativa de esbulho tomou corpo ontem, 10 de março de 2010. O site G1 informava: “O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) uma emenda ao projeto de lei que altera a divisão dos royalties e participações especiais da exploração de petróleo, mesmo fora do pré-sal. A polêmica emenda de Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG) redistribui os recursos que não são destinados diretamente à União entre todos os estados e municípios de acordo com critérios dos fundos de participação. A emenda foi aprovada por 369 votos a favor e 72 contra. Houve ainda duas abstenções.”

E esclarece: “Estudo feito pela assessoria do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) mostra que 86 municípios cariocas teriam grande perda de arrecadação. O governo do estado do Rio de Janeiro também seria fortemente prejudicado e perderia já no próximo ano cerca de R$ 4,8 bilhões em arrecadação. O Espírito Santo é o outro estado que sai prejudicado. Os outros 24 estados e o Distrito Federal receberão mais recursos com a emenda.”
Paremos para pensar sem emoção. O Rio de Janeiro pode abrir mão de R$4,8 bilhões em arrecadação e viver com cerca de R$ 90 milhões dessa arrecadação? Evidentemente que não pode.

Mais que esbulho é brutalidade inominada.

Estamos lutando por um Rio de Janeiro menos injusto social e economicamente, essa luta por igualdade social passa, necessariamente, pelo fluxo de caixa que a unidade federativa dispões. No caso, querem bater a carteira do Rio de Janeiro. É como se o salário de um chefe de família fosse surrupiado descaradamente, pelos ladrões de sempre, que ainda soltam aquele sorriso largo se sentindo Robin Hood.

Não, não são heróis os que estão fazendo isso com o Rio de Janeiro, são covardes e vingativos. Para agravar o bizarro da situação, como bem sabemos, muitos deles formam imenso subconjunto de corruptos e ladrões dentro da Câmara. E estão nos roubando. Roubando o Rio de Janeiro, roubando o povo fluminense e carioca.

Sempre estivemos com o Brasil.

O Rio de Janeiro tem essa tradição de ser esquerdista e de oposição. Não creio que um governo de esquerda nem que políticos de esquerda, que se denominam socialistas, permitam mais esse esbulho contra o Rio de Janeiro.

Espero posição efetiva e contrária a essa aberração criada por Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), por parte da presidência da República e do Senado Federal
.
O que foi feito não ajuda o Brasil, mas destrói o Rio de Janeiro.

Se é isso que querem, senhores, saibam que de nós encontrarão inabalável e vigorosa oposição.

Basta de hipocrisia!
Rio de Janeiro, 11 de março de 2010.

08 março 2010

A Vida é uma Mulher






Caminhei pela terra, não com passos qualquer, nem com medidas ou bússolas, caminhei vivendo os passos dados, certos ou errados, mas nunca despretensiosos. A maioria bate no peito e clama bem alto: -“Não vim aqui a viagem!”; pois eu vim. E viria outras vezes, se tal fosse possível.
Veria mais cachoeiras e mares, contemplaria mais desfiladeiros, mergulharia em águas de tantos rios que não conheci, subiria mais montanhas me apresentando a flores que meu olhar nunca olharam ou perceberam.
Veria tudo igual, mais muito, muito mais intensamente e dormiria menos, para ter mais horas cobertas de descobertas, de cheiros e de perfumes, de cores e luzes, e das curvas sempre femininas que se desenham nas serras.
Curiosamente o belo é, em sua maioria, do gênero feminino; e quando não é se desdobra a quase não ser para se tornar o que não era para poder se dar.
É o caso dos oceanos, que depois são mares, ambos por todos (apenas) navegáveis, até se tornarem praia e, só aí, têm a plenitude da entrega, do dar e do receber, nesse encontro com a Terra e a Humanidade.
O feminino está no começo e no vim de tudo, e no interstício também: a Mulher, a Vida, a Morte. Três femininos.
As sensações e sentimentos mais intensos e profundos que nos habitam ou nos visitam ao longo dessa viagem, em sua maioria são femininos. Muitos discordam impondo o Amor. Esses, nunca se apaixonaram. A paixão é o amor indômito, que não se rende, que se consome em sua própria intensidade vez que nada mais teria esse poder. Li um dia, em algum lugar, que “a paixão é o amor em chamas”, e concordo.
Nada é mais presente em minha vida que a Mulher. Nasci de uma, que me abrigou em seu ventre por meses. Hoje, analisando, tirando a mulher que me colocou no mundo, sete outras mulheres foram e são de importância vital em minha vida. Bem cabalístico o número, afinal, a mulher é uma mandala. Sem qualquer uma delas, ou eu não estaria aqui, ou não teria graça estar aqui. Muito menos, sentido.
Ao meu lado ou na distância, sei que me amam e sabem que vivem em meu amor (ainda que as vezes misturado com a saudade).
Tudo que existe em mim de bom e belo, todas as minhas recordações mais bonitas, todas as lembranças assim como toda a esperança com que sempre olho para o amanhã, aprendi um pouco com cada uma delas.
Por tudo isso as amo. As amarei, sempre!
Hoje é 8 de março de 2010, Dia da Mulher.
Para mim, são todos os dias de minha vida.
Paulo da Vida Athos.

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...