31 outubro 2006

Carta a uma poeta


Minhas palavras não têm sabor de encontro,
nem se aquietam ao frescor da sombra que nasce
para os que completaram a caminhada.

São inquietas como meus caminhos
e se completam em uma poesia,
mas não se aquietam
nem fazem cessar meu caminhar,
assim como o sol e a lua
que no espaço infinito se completam na eternidade do desencontro.

Não te creio árida, estática, paralisada diante do tempo e da vida;
muito menos creio que tua história te permita quedar assim inerte.

Para os que têm sensibilidade
- e tu a tens!-
a flor da pele não se resseca nunca diante das águas
que jorram eternas do chão da vida!

Sua nascente está oculta entre as brumas de nossa alma
e se derramam, sempre, em nosso coração,
e despertam na aurora de cada dia,
perfumando esperança.

Tu não conheces o que me envolve a alma e que,
como disse um sábio em tempos idos,
tem endereço certo: o chão.

Mas se tenho tua alma cativa a espera de minhas digas
(como a minha a espera das tuas),
seja ela cativa, mas nunca prisioneira!

Jamais coloque tua felicidade no sol ou em uma estrela,
pois terás apenas metade do dia para ser feliz.

Jamais coloque tua felicidade em um outro ser,
pois dele dependerá teu sorriso ou tua lágrima.

Coloque tua felicidade no trono certo: teu interior.
E, que seja este interior arejado, iluminado,
mas ao mesmo tempo: translúcido!

Translúcido a todos!

Terão o acesso à luz emanada
por tua capacidade de amar e de sentir o amor.

Mas não colocarão em risco tua sensibilidade,
terreno em que se enraíza a flor dos sonhos.
Que sintam o perfume... mas que não arranquem a flor.
Tua alma é menina. Menina e... mulher!
E, mais que mulher: poetisa!

Fica fácil assim nosso encontro alado no céu do tempo,
onde nossas almas se encontram em momentos
eternos como elas,
onde se tocam e se acariciam,
onde sentimos o cheiro de nossa pele,
o perfume de nossa boca,
o calor de nosso abraço...
na explosão de uma poesia.

Te encontrarei na esquina do tempo,
que fica no segundo supremo que fronteiriça a madrugada
e os primeiros albores da aurora.

Ou na linha imponderável e imensurável que separa o infinito... do mar.

E minha boca...
Ah!, minha boca!
No silencioso encontro com a tua...



(por Paulo da Vida Athos)

Fonte

29 outubro 2006

A Lama nossa de cada dia...

A Lama nossa de cada dia...






Por Paulo da Vida Athos.


Se em razão das mortes de nossas crianças a população saísse às ruas, nua de roupas e de medos, fazendo com que governantes e legisladores buscassem abrigo e tentassem se proteger de uma sociedade insurreta, eu entenderia como um ato de lucidez que deveria ser compreendido e acatado de forma imediata.

Loucura para mim é a insanidade social que se traduz em omissão; é o oportunismo de nossa mídia covarde que apenas divulga essas mortes para vender seu peixe, dando mais espaço para os dossiês escroques do que para cobrar um basta a esse morticínio injusto e tão injustificável quanto nosso silêncio conivente e covarde.

Karine dos Santos Silva, uma menina de 12 anos, está internada desde ontem, 20/10/2006, no Hospital Carlos Chagas, por ter sido atingida por uma bala de fuzil que atravessou seu lado direito e saiu em suas costas. Karine, que levava ao colo a prima de um ano, caiu na Rua da Lama na Favela de Acari por volta das 12h54m. dessa sexta-feira.

Mas ela não caiu na Rua da Lama sozinha. Caiu porque sempre esteve sozinha. Caiu e levou todos nós.
Sim, senhoras e senhores, somos partícipes dessa barbárie sem fim e estamos com lama na cara.

Uma sociedade mais séria já teria colocado um fim nessa prática criminosa de invasões em nossos guetos por nossa despreparada polícia - que ainda não se libertou do bafio de fera com que se impregnou durante as práticas aprendidas em nossos governos antidemocráticos.

Levar fuzis e carros blindados – os caveirões – para invadir nossos guetos é que é insanidade. Não importa de onde saiu a bala. Importa tão pouco, aliás, que a autoridade policial da 39.ª DP afirmou que “Não teve perícia porque não pedi”. Certo, doutor, perícia para quê? Todo mundo é culpado: traficantes, policiais, todos nós no mesmo saco.

Se a polícia não age com inteligência – e falo aqui no termo técnico – evidentemente que essas mortes continuarão a acontecer. É preciso que se use estratégia, inteligência, a mesma que colocou os mais famosos traficantes do Rio de Janeiro nas prisões: sem tiros e muitas dessas prisões fora dos limites do Estado e, em uma ou outra ocasião, até fora das fronteiras brasileiras (quando se criou até um incidente diplomático).

Segurança Pública no Rio de Janeiro é ficção. Essa foi a sexta criança vitimada desde setembro. Onde não há garantia não há direitos e onde não há direitos garantidos grassa a violência e a impunidade. Mas se há esse desgoverno na polícia fluminense, é em razão do desgoverno em que sempre vivemos.

Excetuando-se o período governado por Leonel Brizola quando tais práticas eram proibidas (o que não se podia fazer na transparência da Avenida Vieira Souto, não era permitido nos sombrios desvãos das favelas – e por isso foi tão criticado à época), essas mortes prematuras de nossas crianças e de inocentes são freqüentadoras de todos os outros governos.

A naturalidade com que a sociedade está tratando essas mortes dá asco. O que me enoja é ter a certeza de que se tais mortes estivessem acontecendo na da zona sul do Rio (o que não desejo em nenhuma hipótese vez que crianças para mim são isso tudo mesmo: crianças), logo logo teríamos a classe média nas ruas tangendo movimentos sociais, e a mídia, sem pudor e prevendo seus lucros, expelindo seu fel contra essa política de cadáveres que foi estabelecida.

Certamente que enquanto as “invasões” continuarem as mortes continuarão. E é justamente isso que tem que ser mudado. A política irresponsável de invasão deve ser substituída imediatamente por uma política de ocupação pelo Estado. Ocupação com saúde, escola, saneamento básico e, claro, segurança. O mínimo que do estado se espera é que ele não seja o assassino, que ele não seja o bandido, e é justamente esse o papel que assumiu em nossas favelas.

Ou alguém acha que um homem que invade uma casa, arranca, seminus, da cama, o pai e a mãe de uma criança, no meio da madrugada, revira seus móveis e gavetas, esculhamba tudo e ainda xinga seus pais, trabalhadores, depois vai embora sem nem ao menos pedir desculpas, é olhado como o que por aquela criança? Para piorar no outro dia o traficante passa, lamenta o que policiais fizeram naquela casa, de tardinha troca tiros com aqueles cara que ridicularizaram a vida do moleque, e coisa e tal, sem sectarismo, respondam: - para a criança: quem é o bandido?

Provavelmente um ou outro imbecil de plantão vá-me “ofender” com o bordão de “defensor dos direitos humanos” e intitulando-se a si próprio de “defensor dos humanos direitos”, nesse jogo de palavras tão sem propósito quanto revelador de ignorância. Defender os direitos humanos é defender o Estado Democrático de Direito, sem o qual não há democracia. Bem, claro que há os saudosistas. Mas esses podem ir de pronto, com a licença daqueles que me lêem, à merda. Não sinto saudades de ditadura.

Muito menos sinto em meu rosto os respingos de lama da Rua da Lama em que tombou Karine...

De pé!




Por Paulo da Vida Athos.

A soma da plenitude da maturidade com ganas adolescentes é a seiva que nos move. Tivéssemos a sabedoria e a experiência no ontem, nosso hoje seria por certo muito melhor. 

Mas deixarmos de fazer no hoje, não tornará melhor o amanhã e muito menos teria tanto sabor o nosso hoje. 

Quando crianças e adolescentes, marcávamos árvores com corações e nomes das pessoas amadas; depois veio o tempo dos muros, das grandes frases libertárias calcadas nos ideais ainda não amadurecidos. 

Liberdade é terreno fértil... 

Posteriormente alguns tiveram os corpos marcados ou as almas marcadas, ou ambas. Aparentemente os tempos são outros. 

Mas só aparentemente. 

Quando olhamos o Brasil e o mundo e constatamos que o desejo pelo poder e a querência do ter continuam atropelando essência da vida, o ser, o ser humano, então vemos que muita coisa mudou, mas muito mais está para ser mudado. 

Estamos extenuados...

Mas a experiência desperta a vontade de tomar a bandeira cheia de pó que estava atrás da porta, que havíamos largado ali, por termos achado que chegara a democracia social tão sonhada.

Não se pode quedar distraído quando se trata de Democracia, uma conquista que custou muita dor e muita lágrima. 

A elite e sua mídia raivosa não dão trégua, como as hienas e como os chacais.

Querem roubar nossos sonhos e o pouco que os mais pobres conquistaram com Lula: o prato de comida, até!

E nosso ontem ciranda no tempo com nosso hoje, tentando apagar nosso sol e nossos sonhos. 

Percebemos então: não vale a pena parar.

Lutamos pelos que ainda não podem ou não sabem lutar!

Conduziremos Lula. Nós, o povo!

Portanto: todos de pé: já!

Nem com canhões!


Nem com canhões!



por Paulo da Vida Athos.


Nada do que estou vendo agora do que fazem contra Lula me surpreende. 

Tenho boa memória, senhoras e senhores, assim como sei que o povo tem. Não me preocupo com Lula que está mais que calejado quanto às armações e esperneio dessa elite desavergonhada que sempre tentou lhe colocar cabresto.

Isso é história antiga. Nunca aceitaram sua liderança. Apenas a reconheceram e tentam, desde então, liquidá-la. Afinal, como a classe dominante aceitaria silente que um membro da classe operária a ela não se submetesse? Pior, ainda tivesse a audácia de pensar um partido político da classe operária? Inaceitável!

Por isso o prenderam várias vezes. Mas a prisão que mais deixou clara a razão do preconceito da sociedade autoritária, elitista e fechada para com sua liderança, foi a de abril de 1980, diante da concordância e apoio do sr. Luís Eulálio Bueno Vidigal, que disputava naquele momento a presidência da toda poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a FIESP, sepulcro das esperanças dos ideais do trabalhador brasileiro e das riquezas nacionais. Em entrevistas à imprensa, Vidigal assumia como natural o seqüestro e a prisão de Lula.

Talvez o maior erro dos estrategistas da elite, que então tinham ainda sob jugo a Democracia, foi julgar que com sua prisão, tornando-o tão refém quanto a democracia brasileira, liquidariam sua liderança e seu carisma e, de lambuja, nossos sonhos e nossa esperança.

Lula, de porta em porta das fábricas do ABC, foi impondo condições que atendiam aos anseios do proletariado, dos trabalhadores que aglutinou em torno de si, baseado em idéias e ideais de justiça social.

No início, apenas Lula acreditava. Ele, e uns poucos. Mas ao verem a onda crescer, e o conteúdo da luta sindical que Lula liderava (que estava presente em outras democracias capitalistas), do alto de sua empáfia o sr. Luis Eulálio Vidigal e seu então inexperiente ministro do Trabalho, Murilo Macedo lamentavam a “politização” da luta.

Lula foi libertado e sua luta continuou. Ele queria mesmo, e conseguiu politizar a luta por justiça social de onde se origina a luta por conquistas trabalhistas, da qual é apenas um dos ramos.
Hoje, décadas depois, Lula presidirá o Brasil pela segunda vez. A elite está hidrófoba! “Como é que pode aquele barbudo analfabeto e sem um dedo conseguir todas as conquistas durante seu primeiro governo?, vociferam, olhos esbugalhados de ódio, mais incrédulos que no passado.

Simples, senhores: com luta e honestidade.

Se há tantos escândalos envolvendo políticos, o povo agradece! As coisas não são como no tempo dessa corja derrotada pelo povo, quando escondiam tudo. Lula quer tudo apurado, doa a quem doer!

E, certamente, dói mais na elite... 

Hoje colocam Lula como alvo da mídia para liquidá-lo como líder, fazendo sórdidas campanhas difamatórias, o que é imperdoável. 

Tentam iludir o povo para mais uma vez tangê-lo como gado e dele saquear as conquistas alcançadas no governo Lula, o que é impossível! 

Ensaiam o golpe..

Esse seria o mais boçal dos erros de cálculo da elite.

A indignação popular ante o arbítrio de traços neofascista dessa elite insaciável, nessa quadra do tempo, senhores e senhoras, não seria abafada.

Nem por canhões!

Direita sem refém...




Por Paulo da Vida Athos
Manter nossa alternativa de esquerda através de Lula, mais que possível é recomendável. Essa experiência que através dos resultados até aqui alcançados se mostrou a melhor para o povo desde a implantação da República, deve ser mantida e protegida contra a direita que representa a elite corrosiva.
Essa defesa se faz necessária, não porque nessa esquina do tempo as indústrias estão batendo recordes de produção, ou porque geramos mais de cem mil empregos por mês, ou pelo recordes de vendas e de exportações, ou por termos saído da tutela infame do FMI, ou pelos quase dez milhões de famílias atendidas por programas sociais de Lula, ou por termos saído da inflação e chegado à deflação, ou pelo reaquecimento das pequenas e médias empresas, ou pela facilidade de crédito para a agricultura familiar, ou por termos uma Polícia Federal que age sem amarras que não seja a da Lei e por isso nunca se revelou tantos escândalos e desbaratou tantas quadrilhas e prendeu tantos criminosos como agora, ou porque nunca as empresas e bancos pagaram tantos impostos, e, muito menos, por termos prendido tantos criminosos do colarinho branco (incluindo aí senadores e deputados) como fizemos durante o governo Lula. Não é por isso que defendemos que se vote em Lula e em deputados e senadores de Lula ou das esquerdas a ele coligadas.
Tal defesa se dá pelo que Lula ainda irá fazer! O Governo de Lula fez muito, muito mais que todos os governos de direita que o Brasil teve em sua história. Se mais não fez, é porque não tinha maioria no Congresso Nacional.
Existem dispositivos constitucionais que dão conotação parlamentarista em um sistema presidencialista, como é o nosso caso, e isso impediu muitos avanços em decisões que Lula queria, mas que foram bloqueadas pela direita inescrupulosa no Congresso nacional.
Com programas e políticas de transformação social, apesar da erva daninha que é a direita insaciável, Lula conseguiu muitos avanços. As classes mais pobres sabem disso e por isso, nelas, está a força do voto em Lula. Dos pobres e dos que desprezam e repudiam a injustiça social sairão os votos que o reelegerão, a despeito da elite, do PSDB e da tucanalhagem que a direita tentou aprontar.
Temos que banir a direita que, sabidamente, no processo histórico-político brasileiro sempre se alimentou da corrupção em detrimento do povo.
Derrotá-la no cenário político nacional, mais que uma profissão de fé, deve ser um ideal para tantos quantos tenham conhecimento do que fizeram com Getúlio Vargas, com Jango e, mais tarde, com o povo brasileiro através do golpe de 64.
A direita sempre esteve no centro e no comando desses processos em que os perdedores, invariavelmente, foram o Brasil e o povo brasileiro.
Basta! Temos memória, senhoras e senhores. Eles é que não acreditam nisso. Vamos votar sim. E vamos votar bem. Votar com consciência.
Vamos eleger Lula outra vez!
E mais. Votei deputados e senadores de Lula e do PT, para que os chacais da direita não tenham refém.
http://paulodavida.blogspot.com/

UMA ELITE SEM PUDOR



Faltam seis dias para a vitória sobre a elite sem pudor.

Todo cuidado é pouco.

Não deixemos quedar esquecidos os grandes golpes que, no passado, a elite impôs ao povo. E que nos sirvam de lição e norte para nossa caminhada.

Temos memória, ao contrário do que sempre propagaram e propagam. O que não tínhamos era o poder da comunicação que estava apenas restrito aos meios de comunicação que servem aos senhores do capital em detrimento do Brasil e do povo brasileiro.

Agora temos! Através das telas de nossos computadores somos arautos e guerreiros que empunham o estandarte da Democracia e da Justiça Social.

Se os golpes contra Lula e contra a Democracia não resultaram em êxito para essa corja mais que conhecida, que vai de ACM a Arthur Virgílio, encaixando todo o espectro de pessoas da mais reconhecida falta de escrúpulos e ética: é porque nós, nós que somos o povo brasileiro e temos memória: impermitimos!

E como o fizemos? Cavalgando pela grande rede que formamos e que se tornou o QUINTO PODER.

Hoje, somos imbatíveis. Já tínhamos a ética e a coragem. Agora, temos o veículo e as armas.

O veículo são nossos computadores interligados.

As armas: nossas idéias e ideais.

Não mais estamos à mercê do estelionato da mídia que pertence às elites!

Por isso Lula vencerá as eleições.

As elites não se envergonham do despudor.

Por isso serão os derrotados que não têm, como sempre, vergonha do que já nos fizeram.

Sim, senhoras e senhores, atenção com a tucanada-pefelista. São capazes de quase tudo (quase, pois não são capazes de nos derrotar), porque nunca tiveram vergonha na cara!

Brasil, 24 de setembro de 2006.

Paulo da Vida Athos



Fonte


Carta a um porta-voz da elite




Por Paulo da Vida Athos


Senhor Jô Soares.
Conheço-o como o artista que nunca esteve ou irá onde o povo está.
Já o vi aos agrados com aqueles que representam o que de pior existe na vida pública brasileira; de Arthur Virgílio a ACM, passando por Roberto Jefferson a Collor, invadir minha sala através da TV, vomitando em minha casa suas gracinhas não tão engraçadas para a realidade brasileira, assim, na minha lata como se diz. Mas como não sou emocional, esperei que o tempo o ensinasse.
Agora o vejo em uma campanha escancarada para derrubar Lula. Já usou as sua meninas (não tão meninas assim), continua com suas piadas institucionalmente agressivas e humoristicamente pobres, cumprindo as determinações de seu patrão-mor: o capital.
Quando você ataca Lula está atacando o único presidente que, desde a criação da República, veio do ventre do povo e se preocupa com a massa de onde veio, expõe claramente o seu pobre escopo. Lula não é do tipo lacaio ou traidor que se dê ao desfrute de esquecer suas origens por uns dólares a mais. Não se vende. Não vende sua consciência como você o fez se é que algum dia teve uma, em detrimento do Brasil e do povo brasileiro.
O que me espanta é isso: você continua a favor da Pena de Morte. Agora para o povo e para a Democracia.
Tudo na vida tem um por que, mas nunca sabemos o porquê de tudo. E é justamente nisso que me baseio: estou em perene aprendizagem. No espaço impróprio que estou usando, jamais conseguiria responder de forma cabal por que apoio o Presidente Lula, sem correr o risco de ser taxado de sectário.
Começo afirmando ser apaixonado pela Vida e pela Liberdade. Sou um libertário, para arrematar!
Poderia dizer que quando o sol ainda não conhecia o rosto da maioria que o assiste, eu já lutava pela Liberdade (mas idade não quer dizer nada, vez que não conto o tempo pelos dias que vivi e sim pelos fatos vividos, nesse palco onde nossas angústias cirandam com nossas esperanças, então sim, sou um ancião). Mas tentarei resumir em uma frase: confio nele até que me provem que Lula sabia (ou participava) da corrupção histórica que degrada as condições de vida de nosso povo. O nome disso em uma Democracia é principio de presunção da inocência. Ou seja: ninguém pode ser condenado sem o devido processo legal. Isso é base do Estado de Direiro.
Por enquanto, nada provaram. Armaram escândalos comprados, com dossiês comprados ou não, atribuindo ao Presidente ou ao seu partido o ônus desse banditismo político tão típico das elites, que, no passado, até induziu um suspeito "suicídio" de um Presidente da República no Brasil.
Se você fosse mais honesto, denunciaria a Rede Globo, essa puta platinada que de Vênus não tem nada, por todos os danos que, desde a época em que era o diário oficial do golpe de 64, tem imposto ao Brasil e ao povo brasileiro. Você, mais que servir às elites: está se servindo do povo. Espera que ela, a tua patroa, se alimente de sua presa, o povo, e contenta-se com os restos que ela te possa deixar. Como os chacais.
Esse novo passo dado pela elite, através de seu poder de corromper, não dará certo. Não nos convencerá. Nem a mim, nem ao povo brasileiro. Um candidato que está à frente de todas as pesquisas não cometeria uma imbecilidade dessas. Já vi esse filme antes: quando vocês manipularam em favor do Collor para que Lula perdesse na última volta do ponteiro uma eleição que estava ganha. Mas sou gato escaldado, Jô. Eu e o povo.
Creio que a presunção da inocência deve nortear meu olhar ao ser humano. Não condeno sem provas. Na política ou fora dela. E, até aqui, não vi prova irrefutável participação de Lula em qualquer das sujeiras que estão plantando.
Se estou satisfeito até aqui com o que LULA fez como Presidente? Totalmente, não. Mas sei que não fez mais em função da sabotagem das elites que usam chacais como você. Ainda falta muito. Por enquanto fez mais ou menos o que os anteriores fizeram com relação aos benefícios ao sistema financeiro, para ter governabilidade (inclusive saindo da tutela covarde do FMI). Mas pelo menos fez muito mais que os outros fizeram pelo social.
Tem que fazer mais? Sim. Muito mais! E ele o fará, para desagrado seu e de seus patrões.
Creio nisso e no povo brasileiro.
No mais: inadmito GOLPE por odiar ditadura e ditadores! Amo a democracia e continuo vivendo e lutando por ela, independente do que homens e partidos estejam fazendo. Quem é a favor de GOLPE renega o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. Não é meu caso. De direita ou de esquerda, por amor a Liberdade, odeio ditadura!
Seu papel não será esquecido, Jô. Não me surpreende que agora queira usar esse derradeiro escândalo fabricado pelas elites para derrubar Lula. De você espero qualquer coisa. Para quem o viu defender com risadas de deboche os que ofenderam a instituição que é o Presidente da República, como você o fez, dando gargalhadas no ar pelas atitudes de Arthur Virgílio e ACM Neto (o filho do ACM, o Toninho Malvadeza que sustentava o golpe de 64 como senador biônico) no ato impatriótico que tiveram ao afirmarem que dariam uma surra no Presidente da República, eleito pelo voto direto do povo, direito que tanto defendemos: vindo de você, nada mais surpreende.
Surra no Presidente? Não. Isso é fanfarronice. Os dois têm surrado é a liberdade do povo.
Porém, o que você está fazendo com o de seus patrões, senhor Jô: é muito grave e irresponsável.
Querem surrar a Democracia.
Mas nós não vamos deixar.
Sabe por quê? Por que Lula, somos todos nós!
Paulo da Vida Athos
Rio de Janeiro, 19 de setembro de 2006.

Aos meus irmãos de arma e luz





Por Paulo da Vida Athos

A maioria dos que lêem o que escrevo sequer me conhece.
Não me conhecer pessoalmente, poderia ser considerado um obstáculo à amizade tal fato.
Afinal, como ser amigo?
Como chamar amigo uma pessoa absolutamente desconhecida?
Para mim, é fácil.
Por lutarmos lado a lado em favor da Vida, somos bem mais que isso: somos irmãos.
Para mim só existe uma raça: a humana.
Amo cada um que a ela pertence e ainda tenho amor para os animais. E, gosto disso. A Vida gosta disso.
O Amor caminha ao lado da Vida e com ela arquiteta mil planos para sermos mais felizes.
Apadrinhados pelo Tempo e pela Natureza, a Vida e o Amor colocou-nos em um mundo maravilhoso, juntamente com outros animais e seres vivos, para sermos simplesmente... felizes.
É bem verdade que um ou outro de nós as vezes comete grandes erros contra tudo e contra todos.
Muitas vezes, erros graves.
Mas, antes de julgar e condenar percebo não um errante: mas um irmão.
Alguém que, igual a mim, é filho ou filha da mesma origem material e essencial.
E assim olhando, como quem olha um irmão ou um filho, como quem olha igual, procuro muitas vezes em mim a razão do erro dele.
Quantas vezes meu silêncio permitiu que nele fosse amadurecendo a razão de errar? Quantas vezes minha omissão diante de grandes e inomináveis injustiças sociais permitiu que suas dores ampliadas o conduzissem ao erro?
Fazemos parte de um pequeno grande exército, disse um dia para alguns de vocês.
Claro que muitas de nossas posições em favor dos homens ou dos animais, nos colocam contra a correnteza. Mas sabemos bem que peixe que só nada em favor dela... está morto.
Morrer para a Vida não é apenas a morte como a concebemos naturalmente.
Deixar de lutar pelo que é justo e belo, o ser humano com seus erros e acertos, é uma forma de morte.
Por essa razão, nessa manhã iniciante do primeiro sábado de primavera, quero agradecer a cada um de vocês que lutam ao meu lado por Justiça Social.

O voto nulo e a real consequência




Por Paulo da Vida Athos

Voto nulo. Bom repensar e repassar essa mensagem...
O clima de indignação de parcela importante do eleitorado nacional poderá levar pessoas sérias e bem intencionadas a cometerem equívocos de graves conseqüências, como o de votar nulo.
O pressuposto para votar nulo, inteiramente falso, é de que se 50% mais um dos eleitores anularem seus votos, o pleito também será nulo, devendo a Justiça Eleitoral convocar nova eleição no prazo de 20 a 40 dias.
Nada mais falso. Os votos válidos, considerados para eleger presidente, governador, prefeito, vereador, senador e deputado, excluem os brancos e nulos. Logo, o voto nulo não altera absolutamente nada para efeito de eleger e diplomar os eleitos, pelos simples fato de que não será considerado.
As expressões “se a nulidade atingir mais de metade dos votos”, invocada como condição para anular uma eleição, não se referem aos votos anulados no ato de votar, mas aos votos obtidos de forma fraudulenta ou viciada. Exemplo: se um candidato, contrariando a lei, doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor, em troca do voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, poderá ter seu registro cassado e todos os seus votos anulados.
A eleição só será anulada, portanto, se mais de 50% dos votos forem obtidos por candidatos de forma fraudulenta ou viciada, o que, convenhamos, é muito pouco provável. Logo, votar nulo, antes de ser uma atitude de protesto, se constitui em omissão e também em alienação política.
O voto nulo, portanto, não é a solução. Além de um desserviço à democracia e à sociedade, é um ato inócuo como protesto político, mas que poderá ter conseqüências graves para a população, especialmente para a maioria pobre, menos organizada ou pouco informada sobre o papel dos titulares de mandatos nos poderes Legislativo e Executivo.
Em lugar do voto nulo ou branco, recomenda-se o voto consciente. Pode-se votar em novos candidatos ou nos atuais, e entre os atuais há muita gente séria e decente. Entretanto, qualquer que seja a decisão, o eleitor deve sempre buscar conhecer os candidatos, suas idéias, sua trajetória política, seu compromisso com valores como democracia, ética, moral e, principalmente, com os interesses da maioria do povo.
Os meios para fazer uma escolha consciente são muitos e vão desde os sistemas de busca na internet, passam pela consulta a organizações da sociedade civil até a leitura de periódicos, como jornais e revistas. Vivemos numa democracia representativa e devemos conhecer muito bem as pessoas nas quais pretendemos votar ou a quem vamos dar uma procuração para nos representar, inclusive para cobrar atitudes, comportamentos e votos.
"As expressões “se a nulidade atingir mais de metade dos votos”, invocada como condição para anular uma eleição, não se referem aos votos anulados no ato de votar, mas aos votos obtidos de forma fraudulenta ou viciada. Exemplo: se um candidato, contrariando a lei, doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor, em troca do voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, poderá ter seu registro cassado e todos os seus votos anulados."
Para calcular o quociente eleitoral é preciso dividir o número de votos válidos (total de votos no Estado do Rio menos os em branco e os nulos) pelo número de vagas para deputado federal. O Rio tem direito a preencher 46 cadeiras. Quanto maior o desinteresse do eleitorado — e o número de votos inválidos — menor o quociente.
Para o partido saber quantos elegeu é preciso somar o número de votos na legenda e nos candidatos e dividir pelo quociente. Os mais votados ganham a disputa.
Por isso: não anule seu voto.
Facilitaria aos canalhas...

Homens e animais


 

"A grande diferença entre os homens e os animais é que os animais nunca têm motivo para envergonharem-se de seus atos."



DEMOCRACIA DE CADÁVERES

Por Paulo da Vida Athos

Quando uma criança de dez anos e um policial são assassinados em plena tarde de um sábado no Rio de Janeiro, como acaba de ocorrer, a cidade e a vida deixam de ser maravilhosas e minha vida morre um pouco também. Morre dessa tristeza danada que me sacode a alma ao pensar que ainda hoje pela manhã ambos acordaram e depararam com um céu muito azul, desses que convidam a tudo e a todos ao grande concerto que é a vida.

As mortes prematuras do menino Loran Santos e do policial militar Ferreira, durante o tiroteio entre traficantes e policiais militares do 6.º BPM, no bairro da Tijuca, zona norte da cidade, são inaceitáveis e minha indignação não me deixa calar.

É vital para a democracia o controle da violência, parta ela de onde for, e enfrentá-la é obrigação quando se vive o Estado do Direito. Mas enfrentá-la não é fazer uma política de guerra, de enfrentamento, sem o uso da polícia científica, da tecnologia e de inteligência, onde não mais se selecione as classes mais pobres (e nela incluo a maior parte do contingente de nossa polícia militar em razão do soldo e origem), para boi-de-piranha.

O número de mortes está na razão inversa da consolidação do Estado de Direito. Embora alguns preguem o contrário, não é aumentando o número de cadáveres que estamos combatendo a violência: nem sua causa, nem sua conseqüência.

É muito grave constatar que as práticas adotadas por governos ditatoriais estão sendo acolhidas por governos que se afirmam democráticos, na guerra contra os atuais terroristas e subversivos (na ótica insanidade total) e que está sendo legitimada pelas elites e pelos omissos.

Os terroristas de hoje: são os pobres. Aqueles que vivem nos guetos das periferias e favelas.

Elegê-los como terroristas, já foi feito. Inclusive pelo próprio poder judiciário, atropelando o ordenamento jurídico em vigor e direitos (não garantidos) fundamentais previstos em cláusula pétrea constitucional, através do escatológico "mandato de busca genérico", instrumento pelo qual um juiz autoriza a polícia a entrar na casa de qualquer pessoa de uma comunidade inteira. Ou seja, todos os moradores de uma determinada favela são suspeitos. Fosse no Leblom ou no Pacaembu, certamente tal hipótese não seria cogitada. Independente disso, quando o judiciário abriga a ilegalidade do executivo, senhores e senhoras: é que a coisa vai muito mal.

Para um Estado de Direito essas mortes tão estúpidas quanto inúteis de policiais e inocentes, são inadmissíveis. Loran e Ferreira foram mortos, assassinados. Independente do cano de onde tenham saído as balas; o culpado é o governo do Estado do Rio de Janeiro.

Desde que assumiu seu primeiro anos de mandato, a segurança pública fluminense praticou uma única política: a do extermínio de inocentes civis e policiais.

Ora. Não se faz de uma favela um campo de batalha. Existem outras formas de se combater a criminalidade em nossos guetos sem a morte de inocentes. Para reforçar o que escrevo, tenham em vista que todos os grandes traficantes cariocas já foram presos. Alguns até mais que uma vez, já que afirmam que foram “mineirados” (termo usado para o roubo praticado contra os mesmos por policiais que não honram sua missão), soltos, para depois serem presos e levados para a “dura” por outros policiais que não nos permitem perder a esperança em nossa polícia.

Logo, o combate ao crime não exige que se faça uma praça de guerra nem pelas favelas nem pelas ruas do Rio de Janeiro ou qualquer outro lugar onde transitem inocentes. Muito ao contrário. O saldo de cadáveres na ultima década, deixa visceralmente exposto o equívoco dessa política de enfrentamento que governantes boçais adoram às escancaras de chamar de “guerra contra o crime”. Não quero essa guerra no quintal de minha casa, nem nas ruas de meu bairro, muito menos em nossos guetos e favelas. Para mim, crianças e inocentes são iguais.

Amanhã as mães e famílias de Ferreira e Loran estarão enterrando um ser amado. Será domingo. Não creio que o céu ficará azul, mas, se ficar, será encoberto por minha nuvem interior, por minha tristeza cinzenta.

Peço à Deus que dê conforto aos pais e aos familiares de ambos.

E aos governantes: vergonha na cara!



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Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...