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Dualidades

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por Paulo da Vida Athos.
Não conheço quem do amor diga palavras certas, de precisão, nem mesmo incertas, que o defina quando nos rasga fibra por fibra, quando tudo em derredor é aurora e luz, ou quando nos isola imersos na solidão dos desnascidos, embalados no esgar insone das madrugadas ou no espanto das manhãs ensolaradas.
Não ouvi ser derramada da boca do douto ou do ébrio, do profeta ou do louco, nem da prancheta dos poetas visionários, a fórmula que o defina, a razão de nele perdermos a razão, de deixar-nos de rastros enquanto nos julgamos a voar em céus de inexistentes mundos, ou de olharmos um vagabundo reverenciando-o como se fosse um rei, ou uma puta como se santa fosse, no apogeu de um milagre.
Nunca vi nascer, da suavidade dos pincéis ou da dureza dos cinzéis, a resposta em forma ou em cores, que revelasse esse sentimento que como lente projetiva inverte nossas idas tornando-as voltas, todos os nossos risos em mágoas, a lisa flor da água em ondas revoltas, na imensidão de nos…