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Mostrando postagens de Abril, 2007

O Pintor e a cela (Sol Negro)

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Um sol negro
- eu sei – Faz da tua vida um ébano. Se tens que chorar Ou lutar, Tu não te apercebes Enquanto a própria dor, Vãmente, Tenta embaciar tua esperança!
Um réquiem pop - eu sei – Em surdina faz fundo em tua vida. Estás perplexo, admirado, Contemplando o passar do tempo Transformando o presente em passado E o passado mais passado ainda.
De repente... pegas no pincel! No ambiente translúcido Que te cerca Crias Sem negro sol O azul do céu.
Pronto... completas tua quimera. No céu abres uma janela E surge então O mundo que te foi arrebatado.
Anda! Transfira teu espírito A esse mundo - e eu sei ... – Sonhando, Não serás tão magoado.

(Paulo da Vida Athos)
Ilha Grande, 1976.

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Paisagens

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Paisagens

por Paulo da Vida Athos.











A noite a grande noite dos miseráveis corre lá fora.
É como numa viagem de trem e a fome, pingente, acompanhando pendurada à porta. Da janela um vislumbre de paisagem morta.
Cada homem representa um arbusto, uma pedra calcinada e só, surgindo no quadrado da janela e, velozmente, sumindo.
Não há parada. Não há desvio. Não há luzes brilhando nas chagas, na estrada da grande multidão sem nome.
O que existe é o descaso, a inoperância dos sinais, as paralelas não respeitadas.
O que existe é a ausência da lua dos direitos, rotos roteiros dos sem rumo.
Vejo árvores na passagem, de velhas, múltiplas rugas no tronco, nas faces.

No caminho com Maiakóvski

por Eduardo Alves da Costa


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de…

Impossibilidade

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Diante da desigualdade e da injustiça social,
diante da morte de nossa gente inocente:
crianças, policiais, adultos ou civis,
para mim é impossível ficar parado,
calado,
e sem culpa!

Paulo da Vida Athos





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Nada pergunte

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Nada Pergunte




por Paulo da Vida Athos.

Ao encontrar alguém que seja muito romântico, não diga nada.
Silencie, apenas. E, ouça.
Ouça sua voz interior, esse grande rio da vida que corre em tua alma, em teu corpo, que trafega em todos os teus sentidos e tem nascente em teu coração.
Se você encontra alguém romântico, e se é poeta, e se te responde, não diga nada e se encante em suas digas, apenas.
Não lhe pergunte nada: "quem é, o que faz, quantos anos tem, onde mora". Apenas, viva-o. Sem penas e sem pesar. Não o assuste, nunca... Ele some como o tigre que se embrenha selva a dentro, onde nunca mais poderá ver e sentir o seu olhar, ou como nuvem que se desfaz.
Saiba esperar, ele vai se revelar aos poucos, tateando tua alma e se deixando tatear.