30 julho 2015

Em branco...
















Em branco.


Errei milhões de vezes,
e foram tantas
que não dou conta de contar.

Como? perguntarão os puros,
aqueles que tenho procurado
para derramar os meus pecados:
quase anjos,
que nunca erraram,
que não pecaram,
que nunca estão,
que nunca vejo,
que não caíram,
que não amaram,
que não perderam,
que não mataram,
mas não viveram.

Onde estão?

Procurei em um milhão de ombros,
e perfumes que se misturaram
com o perfume de meu corpo,
de meu copo,
do suor de meu despudor,
mas não encontrei o confessor.

Alguém que não tivesse pecado
como eu, andado por descaminhos
a devassar os medos, a se entregar
a devassidão que chamam vida,
à solidão acompanhada dos perdidos,
capitaneando noites,
consumindo os dias,
para a vida fazer sentido.

Desisti.

Esperarei outra noite qualquer,
a mesma bebida no copo,
o mesmo sorriso na boca,
o beijo de outra mulher
a quem chamarei de princesa,
a quem não direi o meu nome,
a quem calarei os meus versos
enquanto esqueço de mim,
e dos erros que nunca confesso.

Sigo aparando esquinas,
pois o  tempo é veloz,
é complexo,
é remédio e algoz
que faz poesia de pedaços de ser
de pedaços  de mim
sem rimas.


Nele coloco de molho minhas dores,
a as desbotadas cores do que não fui capaz
de entender, de resolver, de perdoar,
nessa longa caminhada dentro da noite
iluminada por rápidas lembranças
que um dia irão se apagar.

Junto com elas, a vida.

Não há em mim o desencanto
por não ter achado o confessionário.
Fui louco, fui demônio e fui anjo.
Na vida, não fui mero figurante.
Nela, não passei em branco...


(julho 2015)

17 julho 2015

Nau e nós (para Mariluce)


Nau e nós...  (para Mariluce)


Nesses anos de viagem juntos, faz tempo que estamos embarcados no mesmo barco.

Passamos por tempestades, enfrentamos ventos de proa e de popa, de estibordo e de bombordo, atravessamos oceanos e mares, ficamos muitas vezes perdidos, e quantas não foram aquelas em que duvidei que o barco fosse resistir.

Foram vagas fortes, temporais que apagavam os dias que se misturavam com as noites, noites muitas vezes de céu sem luar e sem estrelas que nos servissem de orientação, e quantas foram as vezes achei que os impactos com recifes levariam nossa embarcação ao fundo.

Mas vimos paisagens fantásticas e vivemos momentos raros, únicos, inesquecíveis, que apenas poderiam ser testemunhados por quem viveu grandes amores, e das histórias de amor que conheci, nunca ouvi nenhuma mais bela, nem de amor maior que o nosso.

Tive a sorte de amar você, de ser amado por você, de ter você a bordo do nosso amor, que nos momentos mais difíceis foi timoneira, mestre e farol, estrela guia e vento que enfuna as velas, com a força, a coragem, a serenidade, o carinho, a determinação e a inteligência, com que Deus e a Vida a brindaram.

Tive muita sorte. Tenho muita proteção.

Ter você ao meu lado durante essa viagem é a mais fantástica viagem que alguém poderia sonhar.

Pois você não é um lugar, um país, um continente, você é um universo.

Um universo em que a gente se perde e se encontra, e nunca para de ser surpreendido com novas possibilidades, com outros horizontes, oriundos da energia inesgotável que existe em seu interior, em seu amor, em sua fé.

Essa viagem hoje completa 33 anos dos 39 que estamos juntos, desde que nos conhecemos.

Como antes, como sempre: amo você!

Obrigado por continuar a bordo...

Rio, 17 de Julho de 2015.

03 julho 2015

Cativos









Cativos


Não é preciso muito mais
que um teu olhar, apenas,
para habilitar-me à vida.

Desvivo em tua ausência!

Como luar de lua nova,
como verso sem rima,
verso não lido
jogado fora.

Gosto de tatear teu rosto
com meu olhar,
como se avistasse um quadro
de perfeição impressionista.
Um Monet, um Renoir,
emoldurado em minha memória
para expô-lo em vaidade
ao meu amor.

Sim, expor a ele,
culpado isolado de tudo que me contenta
e da maldição que me atormenta.

Sim, ele, o algoz,
aquele que me torna taciturno,
amaldiçoado,
pedinte
em teu afastamento,
imponente
quando a teu lado,
expor a ele que o que me cativou,
teu rosto,
primeiro o escravizou,
para depois deixar-me escravizado.

Somos reféns de ti...

Arrastamos o grilhão dos condenados:
ele ri de mim, eu o amaldiçoo,
eu o menosprezo, ele me consome
nesse ritual sem nome,
desesperado,
no qual ressuscito mil vezes,
para poder morrer
por ti
de novo.



(Paulo da Vida Athos-2015)

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...