19 janeiro 2015

Guerra às Drogas: 53 anos de fracasso

53 anos de fracasso.

O termo 'guerra contra as drogas' cunhado por Nixon, em 1962, sintetiza perfeitamente a razão do fracasso: toda guerra é uma estupidez.

As drogas ilícitas já estavam proibidas, entre elas a cocaína, a maconha, o ópio.  

O álcool, que já fora proibido durante os 14 anos que durou a Lei Seca que gerou os danos colaterais conhecidos pelo grande público através da cinematografia, já não mais era uma droga proibida, assim como o tabaco, as duas drogas que mais matam no mundo em função de seus efeitos na saúde da humanidade e no comportamento humano.

Nesse caso o poder econômico falou mais alto já que nem os Estados nem as transnacionais queriam abrir mão dos recursos gerados por sua regulamentação.  Em 2010, os números do tabagismo batia 346,2 bilhões de dólares, para um lucro líquido de 35,1 bilhões. Para se ter uma ideia do que isso representa, essa mesma quantia  é alcançada somando-se, naquele mesmo ano,  da Coca-Cola, da Microsoft e da rede McDonald's juntos (fonte: The tobacco atlas, da World Lung Foundation).  Tudo isso é sem contar com os bilhões gastos em marketing. Que país quer ficar sem a arrecadação disso tudo?

Entre nós, no ano de 2012 a receita líquida do cigarro, só do cigarro, foi de cerca de R$ 8 bilhões e, segundo estudos da OMS, a epidemia tabagista tem estimativas que indicam que, de um total de 175 milhões de mortes relacionadas ao fumo previstas até 2030, 80% devem atingir pessoas em países em desenvolvimento.

Segundo o INCA, no Brasil, 200 mil mortes anuais são causadas pelo tabagismo, 18,8% da população brasileira com mais de 15 anos é fumante;  que o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo, que a OMS estima 1 bilhão e 200 milhões de pessoas sejam fumantes, e que homens apresentaram prevalências mais elevadas de total de mortes devido ao uso do tabaco atingindo a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais.

Quanto ao álcool Bernard Stewart, um dos que editam os relatórios da OMS disse, referindo-se ao câncer. Que não fazemos prevenção, e que, em "relação ao álcool, por exemplo, nós estamos cientes dos seus graves efeitos, sejam eles acidentes de carro ou agressões. Mas há um problema que não é discutido simplesmente porque não é reconhecido, especialmente envolvendo o câncer."

Estudos da Transform Drug Policy Foundation de 2012, informa que os EUA gastaram mais de 1 trilhão de dólares na guerra às drogas nas últimas quatro décadas, e que o número total de mortos só no México é de cerca de 100 mil pessoas desde 2006.
No Brasil, os resultados nefastos dessa guerra fracassada ficam expostos segundo o Mapa da Violência 2014: "a  cada dia, 154 pessoas morreram, em média, vítimas de homicídio no Brasil, em 2012. Ao todo, foram 56.337 pessoas que perderam a vida assassinadas, 7% a mais do que em 2011."
E prossegue afirmando que as "principais vítimas são jovens do sexo masculino e negros. Ao todo, foram vítimas desse tipo de morte 30.072 jovens, com idade entre 15 e 29 anos. O número representa 53,4% do total de homicídios do país. Também, desse total, 91,6% eram homens."
Segundo o site Congresso em Foco,  "em pouco mais de duas décadas a população carcerária brasileira aumentou seis vezes. Nesse mesmo período, a população do país passou de 147 milhões de habitantes, em 1990, para 191 milhões em 2012."
Para Eduardo Backer, advogado da Justiça Global: -“Há uma seletividade de classe e raça. Quem está preso é o preto e o pobre. Quem faz a prisão é o policial, que vê o jovem negro como potencial inimigo. Esse tema está ligado à superlotação”, e ele cita o caso das prisões por tráfico de drogas:  -“A pessoa pega com droga está ligada ao estigma social. Se for negro e pobre, é enquadrado como traficante, independentemente da quantidade apreendida. É uma construção social que precisa ser descontruida.”
Por qualquer ângulo que se observe, estamos diante de uma guerra fracassada, burra e perdida, que só beneficia o traficante e a corrupção.
O álcool mata, o tabaco mata, a cocaína mata, a heroína mata, enfim, qualquer droga, proibida ou não, mata.
Mas a proibição, só ajuda a matar mais...

03 janeiro 2015

Volver à esquerda

Volver à esquerda.

Dificilmente a mídia será regulada no Brasil. Os mais progressistas sabem da importância que isso tem.  Temos uma mídia que cumpre o papel de preservar o status quo que coloca de um lado aqueles 10 por cento mais ricos da população brasileira detêm mais de 75 por cento da riqueza do país, e de outro os 90 por cento que vivem com apenas 25 por cento que sobra dessa conta.

Não é de se estranhar que qualquer movimento político que vise diminuir esse abismo sofra imediatamente um linchamento midiático.  É uma ideologia. A ideologia de dividir para enfraquecer.

O povo foi e é o alvo primário, e, se fragilizado pela ausência de liderança firme e coesa, vira mesmo massa de manobra.  Como uma boiada em estouro.  Dividiram sim, e facilmente.

E essa estratégia, antes, minara o próprio PT a começar pela CNB que foi atropelada por não perceber que o princípio estava em andamento.

O PT começou a ruir, por dentro.  Não resistiu por esfacelamento.  A coesão deveria se formar tão logo os ataques criaram o que passaram a chamar de “mensalão” e continuou, e continua, com o que chamam de “petrolão", e não houve, como não há, como não houve, contenção para enfrentamento dialético capaz de demonstrar cabalmente que o discurso da corrupção era vazio em razão do próprio combate que a colocou visível.

A mídia da elite venceu ou foi a desunião de todos os partidos progressistas que forjou a derrota?

Os mais fundamentalistas, tal como os que sofrem de ligeireza de espírito, dirão: -“Mas, que derrota se vencemos as eleições?!!!

Sabe de nada, inocente...

É ingenuidade, portanto, imaginar que voluntariamente a mídia vá cumprir o papel que deveria, de informar.  Para isso as concessões públicas são – ou deveriam ser – direcionadas.

Da mesma forma é ingenuidade pensar que o Congresso Nacional vá votar, para regular a mídia.

Quando se fala em financiamento público de campanha substituindo o atual sistema de financiamento que é público-privado, é para impedir que aqueles dez por cento continue elegendo, através do financiamento privado, os políticos que irão votar justamente em questões que envolve diretamente os interesses dessa minoria bilionária.

Compram o Congresso Nacional, elegendo com o financiamento privado os deputados federais e senadores que votarão contra a regulação da mídia, e contra a reforma política que poderia mudar isso implantando o financiamento apenas público, e contra a taxação das grandes fortunas que impediria o saque aos direitos dos trabalhadores como ocorreu agora com as alterações feitas na CLT e no sistema previdenciário.

Espero pelo menos que o governo do PT cumpra as promessas de investimento maciço na educação, a democratização da internete – única forma de fornecer à população informação efetiva – sem descontinuar os demais programas sociais e de investimento que vinham tocando.

Por outro lado, os partidos efetivamente de esquerda, os sindicatos dos trabalhadores e movimentos sociais, precisam participar de forma mais eficaz e coesa na oposição aos atos de governo que firam ou diminuam direitos do povo e dos trabalhadores, e apoiar de forma também efetiva os projetos que visem justamente à área social como um todo.

Sem trazer para o campo das decisões o Partido da Causa Operária (PCO), a Unidade Vermelha, algumas correntes do PSOL, como a Insurgência, ou do PT como os Movimentos Populares, a Articulação de Esquerda e a Militância Socialista, o Partido Comunista Revolucionário (PCR), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), a Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST), o Movimento Esquerda Socialista (MES) e a Liberdade, Socialismo e Revolução (LSR), que ficaram alijados nesses 12 anos, que guardam muito do que o PT foi em suas raízes, vai ser difícil não entregar para a direita o poder em 2018.  Mesmo com Lula.

Tem que gastar sola e alma.

Esse exercício não se faz em gabinetes, mas em reuniões, em grupos de discussões, em seminários, em comícios, nas ruas e faculdades, nas praças e no chão das fábricas, nos trens e nas estações, nas escolas e universidades, nos guetos e nas esquinas, nas rádios comunitárias e nas redes, esclarecendo e motivando a grande massa popular das periferias e das comunidades, porque o povo está é nas ruas, não nos salões e galerias.


Foi isso que, governando e governado, o PT esqueceu de fazer.


Paulo da Vida Athos

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...