27 junho 2015

Sem ela

Sem um pouco de poesia, eu me morro...

De fora





    Onde não entra a Poesia, também fico
    de fora!

A Poesia



A poesia é um espelho que cruzamos no corredor do tempo, que reflete nossa imagem interior, nossos sonhos e lembranças, até aqueles que nem foram vividos. 

A gente sempre se encontra em um poema, mesmo que ele se resuma em uma frase...

A torpeza que vive em nós



A torpeza que vive em nós


Mais uma vez o senado e a câmara se aproveitam da visão obtusa da sociedade. Elencarem mais crimes no rol dos hediondos, e aleluia!!, a sociedade pode dormir em paz...




Pode?

Não, não pode.

Desde que esfacelaram o avanço na legislação penal brasileira que teve seu apogeu em 1984, quando foi elogiada pela academia internacional, o que vimos foi uma catástrofe que teve aceleração acentuada a partir de 1990 com a edição da lei 8.072 que "criou" os crimes chamados "hediondos".

De lá para cá, 35 anos se passaram.

Durante esse tempo, a cada fato criminoso que provocava clamor midiático, que não se confunde com clamor público, pronto, surgia a figura quase sempre sob suspeita do legislador, e, em verdadeiro estelionato onde a vítima, o povo, e o vigarista, o político, em clara torpeza bilateral, fingiam que a criminalidade estava sendo combatida.

Pena nunca combateu criminalidade. E pena não combate criminalidade porque não combate a causa da criminalidade.

O resto é bobagem, fruto de ignorância ou má-fé.

Pode aumentar a pena que quem vai cometer um crime não está nem aí se a pena é de 10 ou de 100 anos. Ele vai pra se dar bem, se achasse que poderia se dar mal, eu disse poderia, nem iria, não é trouxa como a sociedade é, e pensa que ele é igual. Não vai. Se acha que vai se dar mal, manda você, leitor, você mesmo, em seu lugar.

Mas vai que se dá mal. É daí?

A população carcerária que temos hoje, já nos coloca no desonroso quarto lugar em número de presos no mundo. São mais de 550 mil presos. É a ponta do iceberg. O resto está solto. Tem mais mandados de prisão para serem cumpridos do que gente presa. Tem muito mais bandido que nunca sequer passou perto de uma delegacia do que mandados de prisão para serem cumpridos.

E você acredita mesmo em combater a criminalidade com uma canetada?

Acredita que tem prisão pra isso tudo?

Não se combate a criminalidade com pena. Não são palavras minhas, mas da academia.

Criminalidade se combate na raiz e a raiz é um negócio onde o buraco é mais embaixo.

É no comer, é no morar, é na educação, é na igualdade e na justiça social, coisa que a gente não pode esperar de políticos que acenam com hediondez para mais crimes, de olho em nossa idiotice, essa mesma idiotice que os tem reeleito, dizendo que isso é uma medida eficaz.

Quando vejo políticos votando contra direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores ou posarem de heróis com a bandeira do crime hediondo, da diminuição da maioridade penal, sinto vergonha.

Quando vejo a sociedade usar de todo o cinismo que é capaz, para fingir que acredita. Sinto nojo.
Aumentar a pena, ademais, não é punição.

E punição não é presentear com o inferno.

Observe que os que são presos um dia voltam. Como estarão? Como os receberemos?


Um dia despertaremos para o fato de que toda vida é igualmente importante, que todo crime é hediondo, inclusive o nosso, esse crime de omissão que praticamos todos os dias quando temos notícia de que um jovem, branco ou negro, pobre ou rico, no asfalto ou na favela, morreu pelas mãos de um bandido ou de um policial e que esse crime, hediondo ou não, ficou impune.

E fomos nós que puxamos o gatilho...




Ciranda e Sonho














Ciranda e Sonho


Alcanço o quintal
E o vento desfralda a camisa
Aberta em meu peito nu,
Enquanto bebo sol
E transpiro luz.

Um bem-te-vi
Bem-me-vê passar
Carregando um comboio de sonhos
De menino, de moleque sem dono,
Cirandando entre estrelas e lembranças
De amor, despojado do ter,
Embebido no ser
Um momento fugaz na memória,
Repleta de gnomos, heróis e histórias
De amor, de chão e luar.

De posse da rua,
Cavalgo uma brisa ligeira
Com quem brinco de pique-bandeira,
De pião, de botão e de roda,
Com canções que não saem de moda,
Espreitando a chegada da lua,
Esperando a menina passar,
Enquanto um aperto em meu peito
Sentencia o amor imperfeito
Que machuca, de tão grande,
Tão mar.

Mesmo assim minha alma reluta.
Não desperta, não quer despertar.

E então quando menos espero,
Com perfume e luz de luar
Ela entra vestido estampado,
Pele clara, cabelos dourados,
Mel nos olhos e doce nos lábios,
Me sorri um sorriso-criança,
Sem espera e sem esperança,
E vem pro sonho comigo brincar...



(Paulo da Vida Athos)

História em quadrados















História em quadrados

La vem o herói,
Da pá e da enxada,
Andando apressado,
De volta pro lar,
Pra vida de sempre,
Pra fome presente,
Canina, canina,
Enquanto o herói
Persiste em sonhar.

Lá vem o herói,
Da boca sem dente,
Do filho doente
Estendido na cama,
Enquanto seis filhos,
Ganindo, ganindo,
Lhes ganem que herói
Não pode sonhar.

Mas quando o herói
Enxerga a verdade...

Lá vem a perícia,
Lá vem camburão,
Lá vem a polícia,
Lá vem confusão,
Lá vem a notícia,
Cretina, cretina,

Provando que herói,
Precisa sonhar...
(Paulo da Vida Athos)

Manifesto com nove dedos














Manifesto com nove dedos.


Não me arrependo, queria um pouco mais,
ou muito mais, mas não lamento
pela chuva que cai ou pelo sol que deixou de sair.

Para o tempo não importa se é noite ou tarde,
e para mim, para meu povo sofrido,
não importa as manhãs,
se faz calor ou frio,
se é madrugada ou meio-dia
importa o tempo e a estrada
por onde marchamos com nossos sonhos,
enquanto o tempo marcha em nós.

Não estamos no início
ou no meio do caminho.

Na verdade, nem sabemos onde estamos
pois do caminho não conhecemos o fim,
apenas a finalidade: marchar
expropriando e defendendo a expropriação,

pois nós somos os expropriados
e substrato de outra expropriação.
Dizem-nos comunistas,
mas comunistas não somos.
Nem como eles: vigaristas,
capitalistas, ladrões e golpistas.
Apenas lutamos pelo que é nosso,
e a luta é a herança que conquistamos.

Saquearam-nos por séculos!

Roubaram nossas casas,
lotearam nossas terras,
continuam matando nossos filhos,
e só nos oferecem promessa,
e se vamos pras ruas,
tão minhas, tão suas,
nos dão é porrada,
bala, gás e prisão.

Agora ameaçam prender o operário
que marchou a nossa marcha,
colocou seu quatro dedos na cara
dessa elite podre, dizendo:
Vamos distribuir tetos!
Vamos dividir o pão!

Ele não pode voltar...

É um risco medonho,
deixar que a gente marche,
permitir que a gente sonhe.

Mas não conseguirão.
Estamos em plena marcha
conduzidos por nossos sonhos,
nascidos de nossos medos,
alimentados por nossa fome,
e se algum ordinário
prender nosso Operário,
teremos todos nove dedos,
para apontar pra cara deles
e fazer rugir os canhões!




(Paulo da Vida Athos)

Hipocrisia

Então me conta como é ser contra a maconha, mas fumar cigarro e beber bebida alcoólica na frente dos filhos...

Certeza

Sem um pouco de poesia, eu me morro...

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...