27 junho 2015

Manifesto com nove dedos














Manifesto com nove dedos.


Não me arrependo, queria um pouco mais,
ou muito mais, mas não lamento
pela chuva que cai ou pelo sol que deixou de sair.

Para o tempo não importa se é noite ou tarde,
e para mim, para meu povo sofrido,
não importa as manhãs,
se faz calor ou frio,
se é madrugada ou meio-dia
importa o tempo e a estrada
por onde marchamos com nossos sonhos,
enquanto o tempo marcha em nós.

Não estamos no início
ou no meio do caminho.

Na verdade, nem sabemos onde estamos
pois do caminho não conhecemos o fim,
apenas a finalidade: marchar
expropriando e defendendo a expropriação,

pois nós somos os expropriados
e substrato de outra expropriação.
Dizem-nos comunistas,
mas comunistas não somos.
Nem como eles: vigaristas,
capitalistas, ladrões e golpistas.
Apenas lutamos pelo que é nosso,
e a luta é a herança que conquistamos.

Saquearam-nos por séculos!

Roubaram nossas casas,
lotearam nossas terras,
continuam matando nossos filhos,
e só nos oferecem promessa,
e se vamos pras ruas,
tão minhas, tão suas,
nos dão é porrada,
bala, gás e prisão.

Agora ameaçam prender o operário
que marchou a nossa marcha,
colocou seu quatro dedos na cara
dessa elite podre, dizendo:
Vamos distribuir tetos!
Vamos dividir o pão!

Ele não pode voltar...

É um risco medonho,
deixar que a gente marche,
permitir que a gente sonhe.

Mas não conseguirão.
Estamos em plena marcha
conduzidos por nossos sonhos,
nascidos de nossos medos,
alimentados por nossa fome,
e se algum ordinário
prender nosso Operário,
teremos todos nove dedos,
para apontar pra cara deles
e fazer rugir os canhões!




(Paulo da Vida Athos)

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