01 janeiro 2017

Castigo


Castigo

Ocupas minha memória
em retalhos
que vou recolhendo
enquanto costuro uma história
eterna e inacabada,
que tem alicerce no nada,
para desembocar em sonhos
que levam
a lugar nenhum.

Te dei todo amor que eu tinha.
Tu, não tinhas nada.


Teu castigo não é ser vazia!

É o nunca ter sentido
amor algum...


Rio, 1 de Janeiro de 2017.


(Primeira visita do ano)

30 dezembro 2016

2016, Ano Macunaíma

Ano macunaíma


Ouvi gente maldizer as horas do tempo desse ano que se despede deixando marcas nas praças e nas gentes, como fosse ele amaldiçoado, um pária, despojado até do direito de ter passado, de ser lembrado.  

Ano macunaíma, sonso e cretino assim, nem deveria ter existido, ouvi numa esquina, duas mulheres vestindo camisetas verde-amarelas.

Realmente 2016 foi um ano ladeira abaixo para a maioria: os pobres, os banidos, os excluídos, as minorias que fazem parte dessa maioria de despossuídos de direitos que formam a grande base da pirâmide: a massa.

A bandeira da luta de séculos em busca de alguma justiça e igualdade social não resistiu desfraldada muito tempo; pouco mais de uma década e, durante ela, não passou uma semana inteira sem que sofresse atentados.

Uma, duas vezes, três vezes!  Mas quatro vezes era insuportável.  Que negócio é esse de sairem da senzala? do jugo?  Que papo é esse de  invadirem meu shopping? 

Minha praia vá lá, água e areia tem mesmo pra todo mundo, e rock é mesmo pervertido.  Mas meu aeroporto?  Aí tá de sacanagem!  

Ver aquela gentalha infestando aeronaves como baratas, ouvir aquele dialeto tipo "o probrema é o seguinte", "casca uma laranjinha pra nóis aí, meu", "num vai tê armoço não?,  "Ih!  que probreza", na poltrona ao lado, é foda.  

Não deu para uma minoria seleta aguentar mais quatro anos de governo progressista.

Então, o que fazer?

Simples, a receita tradicional. 

Corrupção, governo corrupto, mar-de-lama, governo incompetente, comunistas, e a mídia, o martelo da mídia agora mais sofisticado.  Prensas quase aposentadas e a nova vedete, a TV!

Com ela entrando na vida de 90 milhões de famílias todos os dias, quatro vezes por dia, é mole!  

Basta repetir a arenga.  Deu certo com Getulio, deu certo com Jango, quase deu certo com Lula, porque não daria certo com uma mulher?  E deu certo.

Foi como em Hamelin, a flauta eletrônica foi eficaz!

A classe média, que historicamente odeia a classe dominante tanto quanto explora e odeia as classes abaixo dela, foi o alvo.  

A TV dava a senha, tatatatá: e o domingo na orla tinha mais um programa antes das geladinhas na areia: gritar fora Dilma!  

Chovia pato!

Pior que a classe média estava hipertrofiada pelos nela recém ingressados - que agora perceberam o engodo -  e nossa velha política não se fez de rogada: de uma tacada, menos de 500 deles invalidaram mais de 54 milhões de votos.

Tiraram Dilma, eleita democraticamente, e, em em seu lugar, colocaram uma quadrilha, como agora todos já sabem, liderada por Temer, o traidor.

Aí vem o golpe que antecede o golpe final: os políticos passaram a legislar contra o povo; contra os que elegeram Dilma e contra os que apoiaram o golpe.  

E assim o projeto vencido nas urnas passou a ser votado e aprovado pelos mesmos políticos que se negavam a votar e aprovar os projetos que favoreceriam o trabalhador e o povo brasileiro, quando Dilma os apresentava.

Só que a dose foi muito forte e eles perderam o controle além do juízo, e tal como um trem desgovernado o ovo-da-serpente chamado Lavajato acabou detonando a economia de forma estrutural.

O que era para ficar em  círculo coordenado e predeterminado se tornou um Orós e grandes empresas brasileiras foram desmoronando, e a economia, que é como a engrenagem de um relógio suíço, desandou junto, e o tal rombo que a corrupção fez na Petrobras se tornou gorjeta perto  do rombo que a lavajato provocou em nossas mais lucrativas empresas e na economia nacional.

Como consequência,  número de  desempregados atingiu 12,1 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro último, número 33,1% maior do que o mesmo trimestre do ano passado; e  vai piorar em 2017.

Ou seja, o golpe saiu inúmeras vezes mais prejudicial que a corrupção que, como sabemos, não vai acabar.

O golpe esta em movimento.  Depois que Temer fizer a parte que lhe cabe será descartado.  Igualzinho aos paneleiros de minha rua e aos patinhos que idolatraram a FIESP. 

Risível.

Mas apesar de tudo não vejo 2016 como um ano perdido. Coisas maravilhosas aconteceram nele, e outras, tão maravilhosas quanto, foram preservadas.  

Entre elas a vida, a esperança, a capacidade de sonhar, de crer, de lutar e prosseguir devem permanecer intactas.  

Perdemos uma luta, companheir@s, mas lutar faz parte da vida de quem tem como objetivo mudar as coisas.  A luta mantém vivo.  

Não sou peixe morto que só nada a favor da maré.

Desembarcarei de 2016 mais experiente, mais forte;  viver sempre fortalece.

E embarcarei em 2017 cheio de esperança, sonhos,  e vontade de realizá-los.
A conversa que relatei no inicio, foi de duas mulheres de bem que estavam horrorizadas com as mudanças na aposentadoria.

Lembro tê-las visto comemorando a saída de Dilma...

Feliz ano novo para tod@s!!
   








04 dezembro 2016

Viver é se aventurar

Juliana​, minha querida.  Espero te encontrar feliz hoje; espero te encontrar feliz sempre, todas as vezes, em todos os dias de tua vida.   Dizem por aí que isso não é possível, com certa razão.  A felicidade permanente seria um tédio e faria da vida um saco, uma coisa sem sentido, né? Tipo desmotivante.  Imagina só milhões de copas d'água, uma cachoeira de águas geladas na nossa frente, e a gente sem a menor sede, sem qualquer vontade de beber coisa alguma.  Aff!  Não dá.  Por outro lado, imagine uma vida em que todos os nossos desejos, inclusive aqueles mais íntimos, se realizassem imediatamente...  Assim, de repente, parece uma coisa maravilhosa.  Mas com o tempo, um vazio imenso, um tédio massacrante  viriam nos abalar.  A certeza da realização imediata de todos os nossos anseios mataria a expectativa e ela é fundamental para a felicidade.  Sabe aquela espera de que algo aconteça, aquela pessoa apareça, ou a chuva caia?  Pois é, não existiria.  As manhãs perderiam o encanto, as tardes de domingo deixariam de ser bucólicas, as noites de plenilúnio não mais teriam graça, e até o amor, e mesmo as dores do amor, perderiam o feitiço.  Seria uma vida despossuída da palavra conquista e, quando isso acontece, os despossuídos somos nós.  Nada teria aventura pois a aventura é a materialização do resultado de nossa luta e, como a luta se tornaria desnecessária, com o tempo encararíamos todas as coisas como se fossem esmolas e nós, bem, nós, querida Ju, não passaríamos de pedintes  aos olhos da Vida e, a Vida, miserável aos nossos olhos.  E sabes disto. Não à toa braços dados com a Aventura foi perseguir teus sonhos, forjar tuas expectativas, garimpar tuas manhãs e teus amanhãs, nessa campanha ultramar planejada por teus anseios, por tuas expectativas,  e o pouco,  ou o muito, conquistado com nossa luta é sempre compensador.  Tudo passa a ter um pouquinho do nós, a marca de nossa alma, e fica impregnado com nossas alegrias e tristezas, passando a ser parte integrante daquilo que nos tornamos em nossa caminhada, e ninguém fica menor por dentro do que estava quando deu o primeiro passo, lá atrás no tempo, no tempo em que tudo começou.  Se é assim então porque iniciei dizendo que esperava te encontrar feliz hoje?  Exatamente por isso!  Por ser a vida como uma montanha-russa para os que de fato se lançam nessa fantástica aventura que é viver, viver mesmo, como fazes, não esperar a banda passar,  cavalgar o cavalo em pelo, domar as tempestades, beber as lágrimas, mergulhar fundo, apneia pura, e aflorar de novo à superfície com o sorriso largo de quem jamais será vencida, por ter a seu lado, em toda luta, justamente a felicidade que se chama viver.  Bom dia. Te amo.  Um beijo.

26 setembro 2016

O Golpe em evolução

O golpe em evolução



Segundo informações colhidas na mídia, Antônio Palloci, ex-ministro da fazenda e da casa civil de governos petistas, foi preso porque “um ex-diretor da Petrobrás disse que Alberto Youssef teria pedido R$2 milhões em propinas para campanha política e que o pedido teria sido feito por encomenda de Palloci.”  Se for isso mesmo, o que estamos vivendo é algo monstruoso que deixará sequelas indeléveis na história do poder judiciário nacional. Usando apenas o comando legal, “a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal”, a arbitrariedade salta aos olhos.   No caso, nenhum dos pré-requisitos legais está presente.  Não há que se falar em garantir a ordem pública vez que o Brasil está em paz, não há convulsão social, e Palloci não representa um risco a essa mesma ordem; muito menos se pode cogitar que a liberdade de Palloci possa de qualquer forma abalar a ordem econômica, já que nem mesmo faz parte do atual governo; conveniência da instrução criminal existe quando um acusado ou réu possa estar de alguma forma influindo nas testemunhas ou prejudicando colheita de provas, e isso não pode ser presumido, tem que ser fato provado; e, por fim assegurar a aplicação da lei penal é quando se tem provas de que o sujeito, em caso de condenação, possa fugir.  Isso também não pode ficar na seara da presunção.  A jurisprudência e a doutrina são pacíficas nesse aspecto.  Portanto, o que se vê é o uso intimidativo desse instrumento, como ocorreu em quase a totalidade das prisões decretadas na lava jato, e que se agrava quando um juiz aceita, no limiar de eleição nacional que elegerá vereadores e prefeitos de todos os municípios brasileiros, uma pedido claramente político que partiu da polícia federal.  O objetivo é claro: influi no pleito.  É político.  Isso é mais grave que o vazamento da conversa entre Dilma e Lula. Setores do ministério público, da polícia federal e do poder judiciário, de forma criminosa, atentam contra a soberania popular e contra as normas de direito eleitoral com clara finalidade de fraudar as eleições municipais.  O mercado criou, repetindo o que ocorreu em todas as vezes que se sentiu ameaçado, o fantoche chamado corrupção do estado.  Corrupção que sempre existiu, aqui e em todos os países.  Esse vetusto modus operandi tem como objeto enfraquecer os alicerces da democracia criminalizando a política e o estado.  A lava jato é a atual indústria de fantoches.  E o mercado, usando a mesma receita que derrubou Getúlio, Goulart e Dilma, quer tornar Lula inelegível.  Os ingredientes estão na mesa.  São os mesmos:  insatisfação de que detém o poder econômico e político e sua ânsia de impedir chegar ao poder governante que olhe para os mais pobres;  judiciário contaminado; setores da república comprometidos com a conspiração; e, finalmente, o martelar contínuo da mídia que pertence  a essa mesma classe, apontando a “degradação da política” e o “mar de lama que é o Estado”, em clara manobra para abrir caminho para o poder do mercado e o retorno do neoliberalismo. O que vemos é uma farsa midiática, jurídica e política.  Um atentado à soberania popular.  Uma violação à democracia.  O que vemos é o golpe em evolução.  

10 setembro 2016

O golpe é colocar o PSDB no poder

O golpe é colocar o PSDB no poder.

Temer e o PMDB no poder é apenas um mal necessário e momentâneo para a classe dominante.  

Não havia outro caminho para colocar fim ao período único na história política brasileira em que um governo progressista esteve no poder, embora, em nome da governabilidade, um poder dividido com forças que cedo ou tarde trairiam o projeto social que levou o PT ao planalto e, juntamente com ele, o povo brasileiro e a democracia.

Foram 14 anos de conquistas antes da traição.

Durante essa quase década e meia as conquistas sociais e de soberania são inquestionáveis.  

Apenas a absoluta falta de cultura ou absolutismo reacionário impede o reconhecimento desses novos patamares, que foram oficialmente reconhecidos pela ONU, pela economia internacional, e pelo povo brasileiro na ascensão de uma nova classe C, e a ausência do Brasil da lista dos países em  que a fome ainda mata pessoas.

Sair da lista de devedores do FMI foi muito bom para nosso orgulho e nacionalismo, mas acabar com a pobreza extrema e com a fome foi muito melhor para nosso estômago e nossa cidadania.  

Erradicamos a fome. Fome zero, um marco.  Fim de uma vergonha que pode ser vista em vídeos que rolam na internet, feitos no fim do governo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso.

Para tanto a população teve que ter acesso à alimentação e à renda através de políticas como o Bolsa Família.  

Em economia podemos comparar renda a um bolo.  Se você tira um pedaço e o bolo fica menor alguém vai comer menos.  

Esse pedaço foi retirado daqueles que sempre tiveram a mesa farta, daqueles que historicamente sempre exploraram o Brasil.

É isso é imperdoável e a partir da reeleição de Dilma também tornou-se insuportável.

Mesmo usando a mídia, que a eles pertence, para tirar o PT do planalto, não conseguiram convencer a maioria e Dilma foi reeleita com 54 milhões de votos.

Mais 4 anos de um governo progressista poderia tornar irreversível sua deposição.  Afinal, mesmo com a crise econômica internacional, que Lula chamou de marolinha, os programas sociais e o Brasil caminhavam.  

Era preciso mais.

Então eles arquitetaram  o golpe através da crise política que, sabiam, atingiria a economia brasileira, que já atravessava o período de instabilidade internacional, ampliando aqui suas potencialidades negativas.

O processo do mensalão, que não impediu o PT de permanecer no poder, cedeu lugar a lavajato.

Setores do ministério público e do judiciário foram atrelados à mídia conservadora, que também passaram a centrar fogo apenas em pessoas ligados ao PT.

Políticos de outros partidos foram poupados.  

Temer, Juca, Agripino, Aécio, ministros do atual governo, são todos envolvidos e já denunciados por testemunhas.  Contra eles a inércia do MPF e/ou parcialismo do judiciário são vergonhosos.

Eduardo Cunha, com denúncias já formalizadas no STF, com provas inclusive enviadas por governo estrangeiro, orquestrou o impedimento de Dilma,  e continua aí.

Lula não pode ser ministro e Jucá pode, que justiça é essa?

A inércia do MPF, associada ao partidarismo que tomou conta do judiciário, incluindo ministros do STF,  continua.

Mesmo depois de consumado o golpe, a inércia continua.

Agora, certamente esses setores fascistas vão também centrar fogos no PMDB.  

A mídia já está ajudando a mostrar que quem está no governo são golpistas.

Porque?

A Globo então mudou?  A mídia conservadora reconheceu o erro?  Não.

Todos foram usados pela classe dominante, inclusive o PMDB e Temer o traidor.  

Usados para retirar o PT.

A lavajato vai continuar mais um ano, pois precisam fazer duas coisas: tornar Lula inelegível e retirar o PMDB do governo.

Lula por razões óbvias: pode ser reeleito pelo povo.  

O PMDB, porque já cumpriu seu papel na traição.

Eles querem o PSDB de volta ao planalto.  

É esse o objetivo é o móvel do golpe: ressuscitar o neoliberalismo.

Por isso a mídia já está atirando contra Temer e seu governo golpista.

Querem retirar Haddad para retomarem a prefeitura de São Paulo, é arriscado deixar o PT ali.

Enquanto isso os golpistas do congresso nacional alinhavam a lei que irá anistiar seus partidos e a si próprios dos crimes que cometeram.

Após a aprovação da autoanistia dos políticos e partidos envolvidos, a lavajato perderá o sentido.

Dela, apenas restará um efeito: a retirada do PT do poder.

E a ascensão do PSDB.

Exatamente como a classe dominante planejou.



Paulo da Vida Athos

Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2016.

26 junho 2016

Juliana Navegante David

E é assim mesmo, um banquete é uma viagem.  A vida é um banquete oferecido a todos.  É há aqueles que se aproximam de uma das extremidades da mesa e ali saciam sua fome e sede, e são satisfeitos. Existem aqueles outros que comem um pouco do que existe em cada extremidade, e são satisfeitos.  E há ainda aqueles que provam um pouco do que há no centro da mesa, e com esse pouco são satisfeitos.  Por fim existem aqueles que comem das extremidades, do que existe no centro da mesa, e provam de tudo que o banquete oferece, e não se saciam.  Cada um age de forma diversa nesse banquete oferecido pela Vida, que é ela própria.  Você é uma daquelas raras que não se saciam, que sabe que a Vida é para ser vivida em sua plenitude e, no banquete oferecido, tem que comer das migalhas ao prato principal, tem que beber da água ao vinho, e decifrar os temperos, descobrir de que mares trouxeram o sal. Faz parte da natureza de alguns  navegar, não importa o mar. Faz parte da natureza de outros, ser cais.   Que seja assim então!  Viva!  A Vida fez-se banquete e o Tempo fez-se festa em sua vida, e isso não pode passar em branco, nem você permitiria.  Navegue e conheça muitos portos, com a certeza de que nós somos seu cais...  

Parabéns! Novos mares! Amamos você...

Rio de Janeiro, 26/06/2016

18 março 2016

Um dia especial


Um dia especial.

Escrevo ainda sob emoção.  Hoje foi um dia histórico. Desses que não se repetem.  Tenho na memória apenas um dia como esse, quando da manifestação pelas Diretas Já, aqui no Rio de Janeiro.

Esse dia, tal como o que está lá atrás no tempo, também não foi fruto dos interesses de uma emissora monolítica nem por corporações financeiras como a FIESP, não por acaso ambas apoiadoras da ditadura militar que naufragou ou fraudou o sonho de milhões de jovens durante 21 anos.

Nem foi num domingo de sol, na beira da praia.

A manifestação de hoje, tal como aquela com que se toca em minha imaginação unindo duas épocas, nasceu dos movimentos sociais, do sindicalismo, dos partidos progressistas, dos estudantes, dos intelectuais, para ser acolhida pelo povo.

Não vi ódio, vi esperança;  não vi olhos injetados de rancor, vi sorrisos; não ouvi hinos de guerra, ouvi canções de fé tomando as ruas de Natal, do Rio, de São Paulo, se espalhando por todo o Brasil.

A mídia conservadora não tem apenas incentivado um golpe na Democracia, ela é o golpe.  A Globo em editorial pediu desculpas por ter apoiado a ditadura.  Mas era mentira, não se arrependeu e quer repetir agora.

Mas não vai.  Não passará.

Parodiando o poeta criado numa favela do Rio, no bairro do Estácio, eu boto fé na fé da moçada e vou à luta com essa juventude, e isso é mais ou menos como se eu pegasse uma onda e, cansado, chegando à arrebentação, encaixasse em uma outra para chegar à areia; ou seja: dessa vez, não passarão.

A manifestação de hoje, convocada pelas redes sociais, mostrou a força de nossos jovens, de nossos estudantes e trabalhadores, dos sindicatos, da política partidária progressista e dos movimentos sociais.

Pela rede derrubamos o grande monstro golpista, a mídia conservadora, instrumento histórico da classe dominante.  

A Globo perdeu.  E perdeu sem honra.  No dia de hoje deu aula de desinformação.  Nem o auge, que foi o pronunciamento de Lula na Avenida Paulista que foi tomada em quase toda a sua extensão, ela transmitiu.  Pecado mortal: as redes sociais substituíram a golpista e registraram esse dia histórico em que o povo deixou claro que não vai aceitar mais um golpe na democracia brasileira.

O que se espera é que essa associação criminosa entre parte do judiciário e do ministério público com a mídia conservadora, cesse  seus atentados ao Estado Democrático de Direito.

Esses pequenos grupos golpistas dentro do MP violaram a liturgia de seu  cargos, a confiança que lhes foi depositado pela sociedade ao ampliarem o poder de investigação que tinham originalmente.  Não ampliaram para cometer crimes ou conspirarem contra a Democracia.  Ao contrário, foi para combater os primeiros e defender essa última.

O mesmo se espera de nossos juízes: que sejam magistrados, não políticos; já  se disse um dia que quando a política adentra um tribunal, a Justiça sai pela outra porta.  Espera-se deles, pelo menos serenidade.

Quanto a Globo, dela só se pode esperar o que sempre deu ao povo brasileiro desde que lhes demos a concessão: golpe.

E fica a esperança, esperança renovada depois de um dia como o de hoje. Esperança e certeza. Esperança de que a Democracia nãos seja mais violada. E certeza de que estaremos vigilantes para defendê-la dos golpistas de plantão. 

Esse foi um daqueles dias para nunca mais se esquecer.

Não vai ter golpe!

Rio de Janeiro, 18 de março de 2016.

Paulo da Vida Athos

13 março 2016

18/3 Vermelho nas ruas

Dia 18/3 daremos um show que a Globo não mostrará! Mas a classe dominante, a mídia golpista que lhe pertence, os reaças e os analfabetos políticos, saberão disso! Estaremos em toda parte! Ensinaremos que eleição se ganha no voto, não no golpe. Nós elegemos pelo voto. Nós lutamos e implantamos a Democracia para que hoje eles possam criticar um governo sem risco de morrer, ser torturado ou desaparecer. Eles querem de volta a ditadura.  Nós passamos a investigar a corrupção, coisa que nunca foi feita no Brasil.  Agora querem derrubar Dilma para que as investigações cessem.  Os principais partidos de oposição tem mais de 85% dos corruptos investigados, mas a mídia só fala no PT.  Não somos cegos, o povo não é idiota e não está de bobeira.  Conhece o golpismo da Globo.  Somos defensores da Democracia pela qual lutamos.  Somos a UNE, a UBES, a CUT, o MST,  o PT, o PCdoB, os movimentos sociais, somos militantes de partidos progressistas, ou simplesmente apaixonados pela Democracia e pela Liberdade.  Não somos mercenários pagos nem os sem cérebro criados pela Globo.   #NãoVaiTerGolpe. Não repetirão o passado! Não deixaremos! Não passarão!!  (Paulo da Vida Athos)

19 janeiro 2016

Oração para Oxossi

Oração para Oxossi

Oxossi, meu Pai, 
que é todo proteção e bondade, 
que como todo pai zeloso e atento ilumina com seu olhar
o chão e os caminhos por onde andam seus filhos,
como sempre, e mais uma vez, me coloco em seus braços, 
em seu colo protetor, 
sob a influência e a paz de seu amor infinito, 
nessa longa caminhada que se chama vida.  

Desde o primeiro raio do sol
que deu boas vindas ao meu rosto nessa vida, até o dia de hoje, 
não houve um só sem que eu sentisse a presença sua. 

Atravessei selvas e mares, 
caminhei desertos e bailei trovoadas,  
e quando o fogo das profundezas parecia que secaria minha garganta,
bebi cachoeiras que você me ofereceu.  

Nunca estive sozinho.  

Em todas as barreiras que venci, 
estava em se colo.  
Em todas as provas que vivi, 
tive você ao meu lado, 
à minha frente, 
às minhas costas, 
sobre minha cabeça, 
me guiando em cada passo, 
em cada gesto, 
ditando cada palavra que proferi. 

Agradeço tudo que vivi, 
agradeço por toda proteção, 
por todo esse amor infinito que me tem. 

Pai,
com a certeza de que só estou vivo em razão do amor que sente por mim, 
agradeço com meu amor, 
com meu reconhecimento, 
com minha fé. 

Odé koke maió, Oxossi Oke Arô! Daka ka maci, adje b'erum!

David de Oxossi (Paulo da Vida Athos)

07 janeiro 2016

Penúria

Penúria

Não precisou  muito
pra vida se vestir em festa,
bastou meus olhos encontrar os teus
e a luz da tarde se misturar
com a luz de teu olhar
enquanto o meu olhar
se perdia no desenho de tua boca.

Tua presença
é como sol que rasga sombras
e tintura cores,
revelando que tua ausência
deveria ser banida
por decreto,
do céu de minha vida.

Dá pena ver,
que não te ver,
transforma minha vida
em pena.

(Paulo da Vida Athos)

28 novembro 2015

Sou militante. Defendo o povo e a democracia

Sou militante. Defendo o povo e a democracia.
Talvez a mídia, instrumento da classe dominante, saia vitoriosa nesse embate entre o golpismo e a verdade; talvez grande parte do povo se deixe convencer de que esse instrumento a serviço dos poderosos está combatendo um governo corrupto; talvez ela convença ao povo de que nos governos passados, antes do PT, não havia corrupção como agora; talvez convença aos que não suportam estudar e são despidos de lógica, de que o fato de existir tanta gente presa e tantos escândalos, corruptos e fraudes sendo descobertos, não é porque o governo do PT passou a investigar, ainda que isso atingisse alguns petistas; talvez não lembrem que o chefe dos promotores e procuradores, o Procurador Geral da República era vergonhosamente conhecido como engavetador geral da república justamente porque não mandava investigar nada, deixando na gaveta os indícios de corrupção; talvez nem saibam que no governo petista ficou decidido que o Presidente da República não escolheria um procurador como no passado, mas sim que seria empossado justamente o procurador mais votado em sua própria classe. Mas quando talvez descubram se torne tarde demais, descobrirão que foram enganados, que se deixaram enganar. Nesse momento, por exemplo, como vem de muito tempo, não estão deixando Dilma governar, não votaram o orçamento, como não votam nada que beneficie o povo. Quando não houver nem dinheiro para pagar salários aos funcionários, a mídia dirá: é culpa de Dilma! Eles acreditarão nos veículos da classe dominante e na oposição que serve a essa classe dominante. Mas eu continuarei lutando, eu e uma militância que pensa, que lê e que luta contra a classe dominante desde antes, muito antes que a maioria da população tivesse nascido. E me encontrarão sempre na trincheira em favor do povo. Ainda que no fim, lá só encontrem meu corpo.
Rio de Janeiro, 29 de novembro de 2015.
Paulo da Vida Athos
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23 novembro 2015

Jazigo


 
 
 
 
 

Jazigo

 

 

 
 
 
 
 

Sou pedaços de mim

nessas lembranças de nós,

sou cacos do que fomos ontem

que vou tentando juntar

como quebra-cabeças em que tento montar

a imagem do que fomos,

e o perfume que exalamos

do cheiro de nossa pele,

depois do amor.

 

Sou essa perdição no tempo,

esse desperdício de viver a loucura

da busca insana de um tempo

que já se foi e retorna

apenas em minhas lembranças,

como um delírio,

no qual acaricio e busco

no espelho da memória

os momentos em que fomos um.

 

Rasguei todos os versos

com que te vesti,

até aqueles que não escrevi

e, junto, os teus retratos,

as roupas que espalhastes em minha vida,

em minha sala,

e um a um catei todos os fios

de teus cabelos espalhados e meu caminho,

lançando-os ao vento.
 

 
Queimei os lençóis que usamos,

e tudo que guardava teu cheiro.

 

Apaguei teus rastros

dos caminhos que caminhamos juntos

como quem atira fora flores mortas,

troquei até as chaves das portas

que que te levavam a mim

na crença de que apagaria da pele

a memória da tua pele.

 

Inútil.

 

Basta chegar a noite e abrir a janela.

 

Teu cheiro entra por ela

junto à brisa e o perfume do jasmim,

trazendo tudo de volta.

 

Seria fácil

se apenas morresse o amor,

desde que ele não ficasse enterrado...

em mim.

 

 

(Paulo da Vida Athos)

15 novembro 2015

A França não merece perdão

A França não merece perdão.


Em março de 2011 a França uniu-se aos Estados Unidos e ao Reino Unido para intervir na Síria que vivia um conflito doméstico. A este grupo também juntaram-se Israel e Arabia Saudita, que sempre apoiou o intervencionismo norte-americano na região.

De lá para cá esses históricos países imperialistas e colonizadores, me refiro aos EUA e aos europeus, apoiam grupos de mercenarios e terroristas contra o regime de Bashar Al-Assad.

Como resultado as armas fornecidas pelos países ocidentais caíram nas mãos de grupos que depois se voltaram não apenas contra os interesses de Assad, como também dos países da chamada coalizão, e nasceu o ISIS.

Em razão disso milhares de inocentes já morreram na Síria e esse monstro chamado Estado Islâmico, criado por essa prática intervencionista, tomou corpo.

Assim como ocorreu em outras intervenções, como no Irã, Afeganistão, Iraque, além de outros, alguns desses países foram destroçados, tiveram milhares de crianças, jovens e inocentes mortos.

Aviões ou drones da Coalizão despejaram e despejam toneladas de bombas que atingem áreas residenciais, escolas e hospitais, destruindo vidas e cidades inteiras, com a justificativa de sempre: são efeitos colaterais.

O mundo silencia, a mídia silencia.

O que aconteceu na França era previsível e esperado.

Mais de uma centena de inocentes morreram, como morreram, morrem e morrerão ainda, outros milhares de inocentes na Síria e outros países sob intervenção da Coalizão.

Portanto, prantear os inocentes franceses sem fazer o mesmo pelos inocentes mortos pelo terrorismo estatal francês, é ignorar antecedentes históricos.

O terrorismo de Estado da França tem aviões e armamentos sofisticados para assasssinarem criancas e inocentes em território Sírio e outros.

Lamento pelas milhares de vidas inocentes ceifadas pelas armas francesas.

Lamento pela mais de uma centena de vidas inocentes ceifadas no ataque a Paris, essa semana.

A França usa em seu terrorismo as armas que tem; seus inimigos usaram as armas que tinham.

A França é culpada. Historicamente culpada.

Não merece perdão.

31 outubro 2015

Pobreza

Pobreza


Então é assim, 
arrasta-te feito correntes reverberando tuas 
lamentações
que vão batendo de porta em porta 
pela ruas da cidade,
a suplicar piedade,
a expor vergonhosamente tuas chagas
regadas por lágrimas que quase não mais tens.

Tornaste-te um farrapo, dizes, 
em nome do amor,
um amor inexprimível, fantástico, 
jamais sentido ou devotado,
quase humanamente impossível,
não fosse, tu mesmo, 
o decreto que afirma essa humanidade:
tolo, arrogante, presunçoso.

Não!  Nunca destes o sentimento mais bonito!
Nunca destes, nada!

Não tens o amor.
O amor nunca se dá.
Ele não é possuído
e se nega possuir.

O amor, é.
Não és o amor.
Muito menos é o amor a pessoa amada.

O amor está, 
ou pelo menos deveria estar,
em ti.

Mas, como estaria se nem por ti sentes amor?

Andas assim aos pedaços, 
a vender uma alegoria em cada porta,
a envergonhar o amor nas esquinas
de teu mundo interior,
em prática de estelionato.

Não amas!  
Não podes dar amor.

Não tens amor por ti
e ninguém pode dar o que não tem...


(Paulo da Vida Athos)

10 outubro 2015

Reação da Classe Dominante contra as esquerdas na AL

Querida amiga, boa noite.  Perdoe todos os erros ortográficos e outros absurdos, pois desisti de brigar com o corretor ortográfico.  Respondo assim de forma aberta, porque inbox me sentiria numa solitária falando nesse tema. Esse não é um jogo para bispos.  É jogo de cardeais.  Não faz parte dele o que comumente chamamos de elite, que engloba dos que ganham 15000 a 100000 reais por mês, embora esses valores estejam a uma distância abissal do baixo clero, do assalariado, da turma que ganha até 4 salários mínimos.  No Brasil, 66% ganha menos de 2500 reais e se subirmos pouco mais, 3500 reais, atingimos 86% da população.  Faço esse breve apanhado para introduzir um termo muito usado: elite.  Isso que chamamos de elite, que engloba genericamente quem mora na zona sul (Leblon, Ipanema, São Conrado, etc.), essa turma que bate panela nas varandas de alguns prédios de luxo e outros nem tão luxuosos assim, essa turma é massa de manobra, não apita nada, não forma opinião, alias nem tem opinião.  Fazem o jogo da classe que de fato está provocando, finalmente, depois de 2 décadas de derrota para as esquerdas, um cisma político.  Ela é a que chamo de classe dominante.  Gente como Jorge Paulo Lemann e seus sócios, que pode desembolsar 100 bilhões - não errei, falei bilhões - para comprar a a SABMiller.  Pouco mais de uma centena dessa gente detém 15% do PIB.   Lemann foi definido certa feita por uma revista como um  “artista que ama comprar grandes negócios e odeia custos desnecessários em empresas, incluindo pessoas”.  Ele encabeça nossos bilionários que fazem parte de nossa classe dominante, que tem nomes e sobrenomes conhecidos como Marinho, Salles, Sicupira, Diniz, e é essa gente que perdeu nas 2 últimas décadas aqui pelas bandas do sul das Américas.  A classe dominante é transnacional.  Um seletíssimo grupo.  Esse grupo de empresários manda nos governos, tanto aqui quanto nos EUA, na Grã Bretanha, na Alemanha, no Nafta, na comunidade europeia, e a gente sabe que esses interesses econômicos dos blocos colidem com os interesses de blocos progressistas.  Mercosul?  Que audácia é essa??? Pronto.  Chegaram ao ponto de ebulição.  É a coisa é tão forte que não se importaram de sacrificar alguns de seus "sócios eventuais", de menor cacife, como os   odebrecht da vida,  para criar um clímax político que favorecesse um golpe fatal nas esquerdas.  Corrupção, (falam como se fosse o ovo de Colombo), julgamentos forjados, tribunais vendidos, mídia martelando, criada então a tal crise econômica que na verdade é crise política, crise política provocada, que levará políticos para a cadeia, como já levou alguns, que nada mais são para a classe dominante que os elege, que funcionários descartáveis "e desnecessários", usando as palavras de Lemann. Tudo muito estudado, muito articulado, atingindo os 3 países mais importantes para a esquerda na América Latina nesse momento: Argentina, Brasil e Venezuela. Argentina vem sofrendo há mais tempo que nos, a Venezuela idem.  Lembra do episódio em que Hugo Chaves foi sequestrado e retirado do solo venezuelano mas tiveram que voltar quando o povo lá foi para a rua?  Lembra da luta de Cristina contra o Clarin?  Não era contra o Clarin.  Era e é contra essa classe dominante. E ela sempre quis derrubar o PT.  Lula, um carcará difícil, saiu foi como herói.  Merecidamente tem a admiração do povo.  A crise mundial que começou com a tal "bolha imobiliária" teve start nos EUA.  Atingiu a Europa.  Quem perdeu?  Os Estados nacionais e o povão de cada um.  Quando alguém perde, alguém ganha.  Ganhou os de sempre.  Ganharam is grandes banqueiros da  classe dominante, uma classe sem fronteiras e sem piedade.  De uma  classe que lucra com guerras que chacinam crianças podemos esperar o que mais?  Então, minha amiga, então estamos perdidos?  Não sei.  Depende daquela gente sobre a qual a classe dominante tem menos ascendência:  a classe mais pobre, os deserdados de sempre, aqueles cujos pratos são mais facilmente esvaziados pelas decisões da classe dominante.  Daí o ódio contra as políticas sociais que a mídia chamava de bolsa-esmola e os joguetes usando a  chamada elite se achando também classe dominante, levada a gazer o paper ridiculo e insípido de bater panelas em suas varandas.  Então, respondendo suas questões, não sei onde vai parar essa história; não se tem como calar a boca de quem tem a mídia e fala todas as noites mentiras a mais de 90 milhões de pessoas, como fazem os jornais da rede Globo (exceto usar a www de forma intensa e inteligente, compartilhando mais do que curtindo, pois curtir apenas é uma grande bobagem que só perde para a bobagem de não compartilhar no seu prprio perfil para desmascarar os reacionários, marionetes da classe dominante que não sabem pensar), pois compartilhar é a  arma contra a mídia traditional; você diz que não viu nada igual, mas na verdade 64 foi mais ou menos essa mesma história, guardadas algumas peculiaridades de cada tempo; essas pessoas "com tantos processos em cima" deverão ser julgadas um dia, ou não, mas provavelmente não haverá um tribunal nem um julgamento político, espero; tudo isso é parte de um jogo peasado para retomarem a America Latina  Você fala em desânimo, e é isso que o jogo deles pretende que aconteça com o povo.  Que o desânimo tome conta.  Que faça cair no esquecimento as conquistas sociais. Que a populaçāo que ascendeu à classes economicas superiores esqueçam que foi nesse governo progressista,  que creia na mentira repetida até que se torne verdade.  Que grite contra o PT, contra Dilma, contra Lula e "essa turma de comunistas que deveria ter sido morta em 64".  Nem podem mandar ir para Cuba, pois o papa já foi, Obama irá, etc. e tal.  Mas o povo não pode desanimar.  A última vez que isso aconteceu o Brasil mergulhou 20 anos na escuridão...  Força minha amiga.  Creio em você.  Creio no povo brasileiro. Um beijo meu e de Luce, e todo o nosso carinho e apoio.

24 agosto 2015

Em nome da Democracia




Em nome da Democracia

Gilmar Mendes não é magistrado. Nunca foi magistrado. Nunca merecerá ser chamado de magistrado com o conteúdo respeitável e honorável desse termo. É um juiz, quase como a maioria; quase. A maioria, embora composta por juízes comuns que nunca terão o status de um Nelson Hungria ou Evandro Lins e Silva, conhecem e respeitam a liturgia do cargo e não fazem da cadeira da magistratura que ocupam, um palanque de politicagem. Sim, de politicagem. Política moleque, política de molecagem com a pátria, com o povo, a democracia e, principalmente, com os jurisdicionados que, no caso de um ministro do STF, é toda a nação brasileira. Ao politizar o rito processual, ao dar duas medidas diversas em suas decisões - uma para os ligados ao governo petista e outra aos ligados à  oposição -, o que faz é danoso, é violador das próprias regras constitucionais e infraconstitucionais de nosso ordenamento jurídico, e por isso mesmo gerador de instabilidade política e institucional, além da jurídica, que podem desembocar até em golpes, como já ocorreu na história nacional, bem como na de países vizinhos, como o golpe branco no Paraguai. Já passou da hora de se cogitar um impeachment, sim, mas do próprio Gilmar Mendes, e diante de evidência existentes o Senado Federal, na forma do inciso II, do artigo 52 da Constituição Federal, poderia iniciar um processo de julgamento desse senhor, já que não é de hoje que seu nome surge envolvido com criminosos condenados, como o Cachoeira, por exemplo, ou com recebimento escuso de dinheiro. Mas se impeachment é longínquo, que se use a Lei 1079 de 10 de abril de 1950, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento. São crimes de responsabilidade os nela alinhados ( artigo primeiro) e os do Art. 39.: São crimes de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal : 1- alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, a decisão ou voto já proferido em sessão do Tribunal; 2 - proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa; 3 - ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo: 5 - proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decôro de suas funções . Na mídia existm acusações contra Mendes de sonegação fiscal, viajar em aviões do bicheiro Carlinhos Cachoeira, além das feitas pelo ex-senador Demóstenes Torres, "de intervir em julgamentos em favor de José Serra ao arrepio da Lei, de nepotismo, e testemunho falso ao relatar uma chantagem do ex-presidente para que adiasse o processo do Mensalão para depois das eleições municipais de 2012", com testemunhas ilustres dessas acusações. Ora, A conduta de Gilmar Mendes se enquadra em mais de um dos comandos inibidores elencados na Lei 1079. Alem de um risco, é inadmissível um golpista ocupar cargo de tamanha relevância. O Senado Federal pode e deve agir. Em nome da Democracia.