Res Nullius


RES NULLIUS



por Paulo da Vida Athos


Mulher a quem procuro sôfrego,
Na multidão de rostos
Que desembocam em meus caminhos.
Feita de sonhos,
Em minhas poesias.
Feita de mil auroras e crepúsculos,
De estrelas que infestam as noites
E de abandono, ao findar do dia.

Mulher, a quem busco sem me importar:
Origem, cor, raça, religião.

Se realizada ou destruída,
Se virgem, descrente,
Politizada ou não.

Feita de marcas
Imprimidas pela vida.
De sol e de chuvas.
De montanhas e desertos.
De sentimentos despertos
E solidão sentida.

Espero por você: coisa de ninguém...

Pois ainda que distante e perdida,
Não existe nada abandonado no universo,
Que não tenha um pouco de meu amor disperso,
Que não seja um pouco de meu abandono, também.


Fonte

Comentários

Maria Margarida disse…
Paulo cheio de athos...

..quando vejo uma mensagem tua respiro fundo e digo para o meu coração: lá vem bomba!
..e aí vem essa cascata majestosa do encontro triunfal de letras!

Mestre das carícas fraternais!
Meu respeito.
Maria Margarida

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