Carta a uma poeta
Minhas palavras não têm sabor de encontro, nem se aquietam ao frescor da sombra que nasce para os que completaram a caminhada. São inquietas como meus caminhos e se completam em uma poesia, mas não se aquietam nem fazem cessar meu caminhar, assim como o sol e a lua que no espaço infinito se completam na eternidade do desencontro. Não te creio árida, estática, paralisada diante do tempo e da vida; muito menos creio que tua história te permita quedar assim inerte. Para os que têm sensibilidade - e tu a tens!- a flor da pele não se resseca nunca diante das águas que jorram eternas do chão da vida! Sua nascente está oculta entre as brumas de nossa alma e se derramam, sempre, em nosso coração, e despertam na aurora de cada dia, perfumando esperança. Tu não conheces o que me envolve a alma e que, como disse um sábio em tempos idos, tem endereço certo: o chão. Mas se tenho tua alma cativa a espera de minhas digas (como a minha a espera das tuas), seja ela cativ...