Em branco...

Em branco. Errei milhões de vezes, e foram tantas que não dou conta de contar. Como? perguntarão os puros, aqueles que tenho procurado para derramar os meus pecados: quase anjos, que nunca erraram, que não pecaram, que nunca estão, que nunca vejo, que não caíram, que não amaram, que não perderam, que não mataram, mas não viveram. Onde estão? Procurei em um milhão de ombros, e perfumes que se misturaram com o perfume de meu corpo, de meu copo, do suor de meu despudor, mas não encontrei o confessor. Alguém que não tivesse pecado como eu, andado por descaminhos a devassar os medos, a se entregar a devassidão que chamam vida, à solidão acompanhada dos perdidos, capitaneando noites, consumindo os dias, para a vida fazer sentido. Desisti. Esperarei outra noite qualquer, a mesma bebida no copo, o mesmo sorriso na boca, o beijo de outra mulher a quem chamarei de princesa, a quem não di...