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LULA, ONTEM E (AINDA) HOJE

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Caro mestre e amigo Odemar Leotti, Não vou responder agora quanto à minha indignação. Estou analisando para não me precipitar, querendo olhar o prisma em seu todo. O funcionalismo federal, em alguns setores mais e outros menos, está há décadas com o salário corroído. Pior ainda a grande massa, aquela que tem como base o salário mínimo (veja que estou excetuando os que nem isso tem): nesse aspecto a coisa é inominável. Verdade que o salário mínimo teve aumento real, não apenas nominal, mas é real que sua qualidade de aviltamento continua igual. Mas isso também é um trem que não se resolve por decreto. Não acho justo o aumento de Lula, dos congressistas e de ninguém que ganhe mais que 10 salários mínimos enquanto nossa realidade for essa que aí está. Realidade indigente. Inumana. Dou razão a você quando afirma sobre o posicionamento de Lula "SE OS OUTROS FUNCIONÁRIOS NAO VÃO TER EU TAMBÉM NAO QUERO TER. ISSO SERIA HONRAD...

Medo e Coragem

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MEDO E CORAGEM Amiga minha, amigo meu. Mais uma semana inciante e de incertezas plenas. Tentarei não ter medo, como faço sempre: de sonhar, de lutar, de viver, de perder ou vencer. Mas quando o medo chegar, também como sempre, que minha coragem seja um pouquinho, só um pouquinho já está bom, maior que meu medo. Muita paz, um belo domingo e uma semana de luz em sua vida. Um beijo em seu coração hospitaleiro. Paulo da Vida Athos.

As Cruzes da Vila Cruzeiro

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AS CRUZES DA VILA CRUZEIRO por Paulo da Vida Athos Quando diante do saldo de sangue de 30 feridos e 6 mortos, a maioria absoluta e esmagadora de inocentes, o comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo avalia positivamente a ocupação que já dura uma semana na Vila Cruzeiro, na Penha, subúrbio do Rio, existe algo insano no ar. Apesar da insanidade de uma operação de guerra onde a área de conflito é nada mais nada menos que uma área residencial, na verdade um gueto povoado pelos excluídos da justiça social, sua senhoria acha que o saldo é positivo. O assassinato covarde e frio de dois policiais militares deram início a essa campanha militar que já dura uma semana e mais de três dezenas de vidas (afinal, não é preciso morrer para se sentir com a vida atingida). Para alguns é como um jogo: se mataram dois, temos que matar no mínimo quatro. Ocorre que o campo é uma comunidade que sempre...

O Amor não morre

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O Amor não morre... por Paulo da Vida Athos. O amor não morre. É como nuvem que se renova após a estia, é como flores que retornam com a primavera. Ao assistirmos o agonizar de um grande amor, independente da razão que o provocou, somos inclinados a aceitar que nossa felicidade também feneceu com ele e que não existe mais razão para se estar vivendo. Tolos, nós somos. Tolos e imaturos por pensarmos assim. Não foi o amor quem morreu. O amor não morre. Morreu uma razão de amar, apenas. Assim como more um cravo. Assim como uma nuvem condensada se transforma em chuva e se desfaz. Porém, essa mesma chuva que caiu se transmudará em nuvem, um dia, e a queda do cravo não implica na destruição da raiz que o gerou. Nosso coração é como um sol. Com seu calor podemos secar as lágrimas, suavemente, em lenta evaporação, compondo uma nova nuvem in...

Ser Poeta

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Ser Poeta por Paulo da Vida Athos. Ser poeta é sacudir as dores com sonhos, lançando-as fora da memória, adormecendo em festa e despertando em devaneio, concluindo que a dor faz parte da vida; É imaginar o som dos pingos de chuva cancionando nas telhas, mesmo quando se vive numa selva de concreto e aço, de onde foram banidos os telhados antigos, mesmo diante de um dia de sol; É um crer constante, mesmo quando tudo não nos leva a ter esperança alguma, mesmo quando um completo ruir nos envolve, ou quando o desespero ronda a nossa vida; É atravessar a vida sem esconder o sorriso ou a lágrima, sem se arrepender do momento vivido, seja ele de amor ou tristeza; É navegar no azul do céu mesmo quando a chuva cai e mesmo até quando lágrimas turvarem nossa visão; É brindar com um sorriso o sorriso da alvorada e não pensar em chorar quando viver um pôr-do-sol; É gostar da chuva repentina que nos s...

O Pintor e a cela (Sol Negro)

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Um sol negro - eu sei – Faz da tua vida um ébano. Se tens que chorar Ou lutar, Tu não te apercebes Enquanto a própria dor, Vãmente, Tenta embaciar tua esperança! Um réquiem pop - eu sei – Em surdina faz fundo em tua vida. Estás perplexo, admirado, Contemplando o passar do tempo Transformando o presente em passado E o passado mais passado ainda. De repente... pegas no pincel! No ambiente translúcido Que te cerca Crias Sem negro sol O azul do céu. Pronto... completas tua quimera. No céu abres uma janela E surge então O mundo que te foi arrebatado. Anda! Transfira teu espírito A esse mundo - e eu sei ... – Sonhando, Não serás tão magoado. (Paulo da Vida Athos) Ilha Grande, 1976. Comente nosso Blog

Paisagens

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Paisagens por Paulo da Vida Athos. A noite a grande noite dos miseráveis corre lá fora. É como numa viagem de trem e a fome, pingente, acompanhando pendurada à porta. Da janela um vislumbre de paisagem morta. Cada homem representa um arbusto, uma pedra calcinada e só, surgindo no quadrado da janela e, velozmente, sumindo. Não há parada. Não há desvio. Não há luzes brilhando nas chagas, na estrada da grande multidão sem nome. O que existe é o descaso, a inoperância dos sinais, as paralelas não respeitadas. O que existe é a ausência da lua dos direitos, rotos roteiros dos sem rumo. Vejo árvores na passagem, de velhas, múltiplas rugas no tronco, nas faces. Olhos descrentes, inquisidores. Galhos secos, dedos em riste apontando o céu, acusando! Incriminando a vastid...

No caminho com Maiakóvski

por Eduardo Alves da Costa Assim como a criança humildemente afaga a imagem do herói, assim me aproximo de ti, Maiakóvski. Não importa o que me possa acontecer por andar ombro a ombro com um poeta soviético. Lendo teus versos, aprendi a ter coragem. Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história. Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada. Nos dias que correm a ninguém é dado repousar a cabeça alheia ao terror. Os humildes baixam a cerviz; e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, por temor nos calamos. No silêncio de me quarto a ou...

Impossibilidade

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   D iante da desigualdade e da injustiça social, diante da morte de nossa gente inocente: crianças, policiais, adultos ou civis, para mim é impossível ficar parado, calado, e sem culpa! Paulo da Vida Athos Visite e comente nosso blog

Nada pergunte

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Nada Pergunte por Paulo da Vida Athos.         Ao encontrar alguém que seja muito romântico, não diga nada. Silencie, apenas. E, ouça. Ouça sua voz interior, esse grande rio da vida que corre em tua alma, em teu corpo, que trafega em todos os teus sentidos e tem nascente em teu coração. Se você encontra alguém romântico, e se é poeta, e se te responde, não diga nada e se encante em suas digas, apenas. Não lhe pergunte nada: "quem é, o que faz, quantos anos tem, onde mora". Apenas, viva-o. Sem penas e sem pesar. Não o assuste, nunca... Ele some como o tigre que se embrenha selva a dentro, onde nunca mais poderá ver e sentir o seu olhar, ou como nuvem que se desfaz. Saiba esperar, ele vai se revelar aos poucos, tateando tua alma e se deixando tatear. Como os olhos qu...