De amor, liberdade e cantos

Não quero para mim o canto de ave que vive em gaiola, que da vida vive d’esmola, órfã de toda esperança. Não quero possuir esse canto, despossuído de rima, de aves aprisionadas que dependem de dono, pra trocar a água e a comida e o papel sujo do chão. Quero o canto da ave livre nas matas, nos céus das cidades, no chão das ruas de pedras, que ciscam nas calçadas dos bares, nas varandas dos palácios, como quem canta um canto intangível que atravessa espaços e gentes, como um hino à liberdade! Quero esse canto que tenho ouvido e cantado junto com a vida, em minha vida, que de amor é conjunto. Prefiro o trinado dos pardais que cruzam o espaço dos céus, que alçam seu voo mirando o horizonte, que fazem seus ninhos nas árvores, nas eiras e beiras do cais, àquele gorjeio tristonho do canário belga, ou da terra, que jamais conheceram a serra, nem o canto do Uirapuru. Quem tem tudo em hora certa, ma...