Um dia especial


Um dia especial.

Escrevo ainda sob emoção.  Hoje foi um dia histórico. Desses que não se repetem.  Tenho na memória apenas um dia como esse, quando da manifestação pelas Diretas Já, aqui no Rio de Janeiro.

Esse dia, tal como o que está lá atrás no tempo, também não foi fruto dos interesses de uma emissora monolítica nem por corporações financeiras como a FIESP, não por acaso ambas apoiadoras da ditadura militar que naufragou ou fraudou o sonho de milhões de jovens durante 21 anos.

Nem foi num domingo de sol, na beira da praia.

A manifestação de hoje, tal como aquela com que se toca em minha imaginação unindo duas épocas, nasceu dos movimentos sociais, do sindicalismo, dos partidos progressistas, dos estudantes, dos intelectuais, para ser acolhida pelo povo.

Não vi ódio, vi esperança;  não vi olhos injetados de rancor, vi sorrisos; não ouvi hinos de guerra, ouvi canções de fé tomando as ruas de Natal, do Rio, de São Paulo, se espalhando por todo o Brasil.

A mídia conservadora não tem apenas incentivado um golpe na Democracia, ela é o golpe.  A Globo em editorial pediu desculpas por ter apoiado a ditadura.  Mas era mentira, não se arrependeu e quer repetir agora.

Mas não vai.  Não passará.

Parodiando o poeta criado numa favela do Rio, no bairro do Estácio, eu boto fé na fé da moçada e vou à luta com essa juventude, e isso é mais ou menos como se eu pegasse uma onda e, cansado, chegando à arrebentação, encaixasse em uma outra para chegar à areia; ou seja: dessa vez, não passarão.

A manifestação de hoje, convocada pelas redes sociais, mostrou a força de nossos jovens, de nossos estudantes e trabalhadores, dos sindicatos, da política partidária progressista e dos movimentos sociais.

Pela rede derrubamos o grande monstro golpista, a mídia conservadora, instrumento histórico da classe dominante.  

A Globo perdeu.  E perdeu sem honra.  No dia de hoje deu aula de desinformação.  Nem o auge, que foi o pronunciamento de Lula na Avenida Paulista que foi tomada em quase toda a sua extensão, ela transmitiu.  Pecado mortal: as redes sociais substituíram a golpista e registraram esse dia histórico em que o povo deixou claro que não vai aceitar mais um golpe na democracia brasileira.

O que se espera é que essa associação criminosa entre parte do judiciário e do ministério público com a mídia conservadora, cesse  seus atentados ao Estado Democrático de Direito.

Esses pequenos grupos golpistas dentro do MP violaram a liturgia de seu  cargos, a confiança que lhes foi depositado pela sociedade ao ampliarem o poder de investigação que tinham originalmente.  Não ampliaram para cometer crimes ou conspirarem contra a Democracia.  Ao contrário, foi para combater os primeiros e defender essa última.

O mesmo se espera de nossos juízes: que sejam magistrados, não políticos; já  se disse um dia que quando a política adentra um tribunal, a Justiça sai pela outra porta.  Espera-se deles, pelo menos serenidade.

Quanto a Globo, dela só se pode esperar o que sempre deu ao povo brasileiro desde que lhes demos a concessão: golpe.

E fica a esperança, esperança renovada depois de um dia como o de hoje. Esperança e certeza. Esperança de que a Democracia nãos seja mais violada. E certeza de que estaremos vigilantes para defendê-la dos golpistas de plantão. 

Esse foi um daqueles dias para nunca mais se esquecer.

Não vai ter golpe!

Rio de Janeiro, 18 de março de 2016.

Paulo da Vida Athos

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