Osama ou Barack: não aplaudo assassinos
























Osama ou Barack: não aplaudo assassinos.


A grande ilusão contida no anúncio da morte de Osama Bin Laden é justamente querer nos fazer acreditar que Osama Bin Laden está morto. Não está.

Em análise açodada sobre essas palavras alguns concluirão que sou apenas “mais um simpatizante de terroristas” e, ao fim, asseverarão que falo assim porque um filho meu não estava em uma das torres do World Trade Center naquele 11 de setembro de 2001, quando foram alvo de ataques suicidas coordenados pela Al-Qaeda (A Base) provocando a morte de 2.996 pessoas (computo nesse número os terroristas).

Não estou feliz com a morte de Bin Laden, assim como não fiquei feliz com a morte das vítimas daquele atentado ou com a morte das 1330 pessoas que foram assassinadas na Faixa de Gaza, dentre elas 437 crianças, em apenas 22 dias, durante a ofensiva israelense que marcou o início do ano de 2009. Não houve alegria em meu coração em nenhuma dessas mortes. Não aplaudo assassinos...

Comparo, sem qualquer problema de consciência, aqueles que mataram Bin Laden e aqueles que ordenaram sua execução, ao próprio Bin Laden.

Qual a diferença? São todos assassinos.

Não vejo diferença alguma entre o “ditador” líbio Muamar Kadafi e o “presidente” sírio Bashar al Assad. Ambos são assassinos.

Na Síria do “presidente” Assad (no poder a onze 11 anos desde que assumiu o lugar de seu pai Hafez al-Assad que esteve no poder por 30 anos), já se “comemora” meio milhar de cadáveres. Agora mesmo a televisão "Al Jazeera" denunciou o desaparecimento na Síria da jornalista Dorothy Parvaz. No entanto, a OTAN nada faz contra aquele que pratica os mesmos atos que Kadafi.

O que ocorre na verdade é que a Síria é governada há 41 anos por uma ditadura familiar, sustentada por um movimento nacionalista (leia-se nazista), que a partir de um determinado momento histórico vendeu-se ao imperialismo. Jamais foi uma democracia e sim uma mal disfarçada ditadura. Ditadura perversa, que em 1982, reprimiu duramente a mobilização popular contra si, enterrando-a sob 25 a 30 mil cadáveres. Um crime contra a humanidade.

Barack Obama, Nicolas Sarkozy, o pedófilo Silvio Berlusconi e David Cameron, têm interesse no petróleo na Líbia, país que exporta grande volume de petróleo para a Europa. Junte a essa equação a crise financeira que (ainda) vivem a Europa e os EUA e teremos uma visão do que move os Estados-Terroristas que eles representam.

Uma guerrinha faz um enorme bem à saúde financeira dos vitoriosos, e todos sabemos disso.

Por isso a OTAN e os EEUU se calam e nada fazem. Não falam em intervenção ou “ajuda humanitária” ao povo sírio, como a que estão ofertando ao povo líbio, através de bombardeios sobre Trípoli. Por exemplo: ainda não se passaram três dias do assassinato de um filho e três netos de Kadafi, que escapou ileso, cometido impunemente pelas forças da OTAN, que não tinha e não tem autorização da ONU para praticar assassinato premeditado contra quem quer que seja. Mas fizeram ataques sobre a residência assassinando as crianças e o pai.

Um porta-voz inglês desmentiu a morte das crianças e foi desmentido posteriormente pelo bispo de Trípoli, Giovanni Martinelli: “-Confirmo a morte do filho do rais". O bispo, que mora na Líbia há mais de três décadas acrescentou: "Peço respeito pela dor de um pai que perde o filho. É um gesto de humanidade".

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, nada quis falar sobre o assunto e saiu com a seguinte pérola: “-A ação da Otan na Líbia não tem como alvo indivíduos em particular".

Como não tem, cara-pálida? O mundo inteiro está vendo que vocês se deram licença para matar.

Voltando a história, isso que aconteceu e acontece hoje na Líbia é o que há décadas acontece na Faixa de Gaza. Ou não é isso que Israel faz com os palestinos, dia após dia, ano após ano, ao longo de décadas?

Israel e Estados Unidos são estados-terroristas governados por assassinos. São fortes e poderosos, militar e tecnologicamente. Hoje, o grande brinquedo deles são os aviões não tripulados de alta precisão destrutiva e poder letal.

Então, você, palestino, você, árabe, muçulmano ou não, vê seus filhos, seus pais e amigos, sendo assassinados dia após dia, um após outro, até que um dia sua solidão seja dividida apenas com seu ódio, o que o manterá vivo? Que chama o levará avante? Vai se tornar o que?

Sem dúvida, um assassino como eles, um assassino como Osama Bin Laden se transformou, um assassino como são Barack Obama, Sarkozy, Berlusconi, Cameron e Benjamin Netanyahu.

Não o aplaudirei. Como disse no início, não aplaudo assassinos.

Mas vou entender você...


Paulo da Vida Athos.

Quadro Crianças com fome, Portinari.

Comentários

Ellen disse…
Eu concordo plenamente com o seu pensamento!

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