Poeta-deus

Ontem meus sonhos peregrinos circulavam em montanhas desconhecidas de distantes galáxias. Felicidade era, antes, o resumo do sonhar, que do sentir, e eu sentia apenas os efeitos da própria sensibilidade criadora que existe na alma do poeta. Musa, não havia. Auto inspiradora e egoísta, a poesia nascia de si para si, tal como um deus egoísta que nada mais desejasse que seu próprio existir. Andei assim, durante muitos séculos. Em almas hospitaleiras, ou hostis, deixei um pouco de meu ser e conduzi comigo, também, o lastro de cada uma delas. Fui nuvem e carvalho, fui rio indômito e impetuoso, fui rochedo agreste e inacessível. Escrevi meu nome em muitos céus, em troncos de árvores e em alguns corações. Hoje, ainda vejo algumas letras informes nas nuvens que passam, em seres que passam, no tempo que sobra. Vejo alguns troncos marcados. Mas os rostos e os corações, não mais existem. Foram c...