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Juliana Latina David (ou: Saudades de uma Mochileira)

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Juliana Latina David - Saudades de uma mochileira... Minha saudade te busca Em cada esquina de Montevidéu, Assim como andou se queimando, Na Cordilheira dos Andes A tua procura. Teimosa, buscou atenta Em cada rosa De cada casa rosada E em cada esquina florida Te encontrar e se tornou perdida. E para meu contragosto, Chorosa, minha alma egoísta Atravessou Buenos Aires, E todas as praças de maio, Pra tentar te encontrar nesse agosto. Meus olhos reclamam nostálgicos a imagem tua, Enquanto minha alma, nua, Mergulha no oceano imenso de tua ausência. Mas, demores o quanto puder! A Vida é uma imensa e maravilhosa aventura, E o tempo não torna jamais. O que torna são lembranças! Ninguém pode ser feliz em seu passado Nem em seu futuro. É no hoje! Belo, emocionante, Encantador e encantado! Sim, dileta amada... É no agora que bailam no éter A Paixão e a Alma apaixonada. Não antes. Jamais, ...

Tempo de despertar

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Por Paulo da Vida Athos. A história de toda política de segurança da qual faz parte uma policia militarizada, é sempre uma estrondosa série de fracassos. Não se combate o crime com estratégia militar em uma cidade, impunemente. Ou ocorrerão os danos paralelos, no jargão militar, ou abuso contra o inimigo. Mas quando o inimigo fala a mesma língua e está sob a égide da mesma Constituição, como diria Juvenal Antena: -“muita calma nessa hora.” Wellington Gonzaga Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva, de 17, e David Wilson Florêncio da Silva, de 24, foram abordados por soldados do exército quando chegavam de uma festa, já próximos de sua casa, em uma favela no centro do Rio de Janeiro; discutiram com eles e foram encaminhados ao comandante do grupo militar que atua na região e, em seguida, conforme nota do Exército, liberados na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio. Menos de 36 horas depois, foram encontrados mortos no Aterro Sanitário...

Dia do Índio

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Hoje é o Dia do Índio. Não temos muito a comemorar. Aliás, apenas eles têm alguma coisa a comemorar no Brasil: não terem sido, ainda, extintos. No mais é dor mesmo. Quinhentos anos de ignomínia, humilhação, chacina, isso foi tudo que demos a eles nesse tempo, cara-pálida. E continuamos dando. O generalíssimo Augusto Heleno, não desmerecendo o nome imperial, afirmou no dia 16 próximo passado que nós “estamos cada vez mais aumentando a extensão das terras indígenas na faixa de fronteira e caminhando numa direção que me preocupa. Pode não ser uma ameaça iminente, mas ela merece ser discutida e aprofundada", e completou: " -Poderão representar um risco para a soberania nacional". A preocupação se dá em razão da “segurança nacional” e não em função da segurança de mais uma ou mais nação indígena em risco, que, à luz do direito e da razão, são as legítimas donas da terra que nós, caras-pálidas chacinadores, alcunhamos de Brasil. Brasil pa...

Por sua prece alada...

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A cada um, a cada prece alada feita por seu coração amado por Deus e pela Vida, na intenção desse caminhante também por eles amado, quero aqui deixar o registro de meu grato coração. Houve como que uma transferência do momento da graça - o que já é em si para mim, uma graça - para o dia 5 de maio que já acena no céu do temo. Trinta dias mais... Para você, que dedicou sua prece, obrigado por cada instante que me dedicou. Como tudo que tenho de mais importante e rico é meu amor e aqueles a quem amo através desse amor, saiba: em minhas preces de cada manhã e de cada pôr-do-sol, sua essência está inserida nelas. Mesmo que eu não lembre que conheço você, minha alma imortal a reconhece em sua memória divina e lhe sorri agora, como o fará por toda a eternidade. Um beijo em seu coração amigo... Paulo da Vida Athos.

Crianças são sempre vítimas: mesmo as criminosas

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por Paulo da Vida Athos. “Jesus, porém, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus.” (Lc.18,16) Na Função Litúrgica da Sexta-feira da Paixão, na Catedral Metropolitana, ontem à tarde, sua eminência o arcebispo do Rio, cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid, disse que ainda sejam protegidas pela legislação, as crianças que matam são assassinas. Assim se expressou sua eminência: “- São assassinas e criminosas, ainda que a lei não as puna”. Não satisfeito arrematou: “- Não se pode ser fraterno desrespeitando a vida de quem quer que seja, muito menos de criança inocente”. Imagino-o, rotundo, diante de uma fasta mesa, cercado por iguarias e vinhos de primeira, afinal sua eminência está acostumada ao fausto, e deliciando-se com sua própria imagem a deitar falação para a massa sobre o tema da campanha da fraternidade, que aborda segurança pública, assistindo-se no jornal das oito. Que frat...

Sexta-feira da Paixão: o dia da traição

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Tem dia para tudo: dia da Solidariedade, dia da Paz, dia disso, dia daquilo. Por tudo que Jesus passou há mais ou menos dois mil anos, por todas as suas dores, coisa que o mundo ocidental bem sabe, esse dia bem poderia também ser o Dia da Traição, ou o Dia da Intolerância Religiosa. Vejam que faz tempo que o povo, volta e meia, trai coletivamente. Ao trair, trocaram Barrabás por Jesus, lembram da história? "-Quem quereis que vos solte, Barabás ou Jesus, que chamam de Messias ” (Mt. 27,11 ). E assim foi e assim tem sido. Traímos muitas vezes, até quando nos omitimos: a escravidão também foi uma forma de traição contra a humanidade, assim como o holocausto judeu, assim como o genocídio palestino ou nas investidas criminosas do exército estadudinense. Sim, traímos muito. Parece que gostamos disso. Ou o nosso silêncio diante da perseguição de traficantes e falsos pastores contra os terreiros de umbanda e candomblé em algumas favelas do Rio de Janeiro não é uma tra...

Acróstico

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Acróstico por Odemar Leotti* Pausas, passagens, paradas, pensares, pulsares mais e menos fortes, Atalhos redemoinhos espirais, ponto incógnito, pontos incapturáveis Uivos, urros, uma voz fala consigo mesmo e não mais se lê como antes Leituras múltiplas que fogem de nosso controle levada pelo corpo Ocultações a si mesmo. Fugas e perdições e o fervilhar embaralhado Atonicidades sempre existiram e não espantam mais os viajantes Todas as estradas pertencem somente a quem sempre viaja Honrar a vida é fabricá-la em várias viagens para fora dela Ornamentá-la quando prazerosa, cheirosa e gostosa. Suspendê-la quando viçosa e sem o brilho de um amanhecer. *Mestre em História Social pela Unicamp em 1998, lotado no Departamento de História da Universidade de Mato Grosso, escreve para o jornal O REBATE, a quem agradeço a imerecida homenagem. Imagem: La Mancha

Don Juan de Marco

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Don Juan de Marco* (Have You Ever Really Loved a Woman? - Bryan Adams) Para realmente amar uma mulher, para compreendê-la. Você precisa conhecê-la profundamente por dentro, Ouvir cada pensamento - ver cada sonho, E dar-lhe asas - quando ela quiser voar. Então, quando você se achar repousando, Desamparado em seus braços, Você saberá que realmente ama uma mulher... Quando você ama uma mulher, Você lhe diz que ela realmente é desejada. Quando você ama uma mulher, Você lhe diz que ela é a única, Pois ela precisa de alguém para dizer-lhe Que vai durar para sempre! Então diga-me: você realmente, Realmente... já amou uma mulher? Para realmente amar uma mulher, Deixe-a te segurar Até que você saiba como ela precisa ser tocada. Você precisa respirá-la - realmente provar o gosto dela Até você possa sentí-la em seu sangue. E quando você puder ver suas crianças Que ainda não nasceram, dentro dos olhos dela, Você ...

Carta a um companheiro de trincheira

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Carta a um companheiro de trincheira Caro Ricardo Neves Gonlalez. Vim de ler seu post Estado Nazista , onde critica sua excelência, o digníssimo secretário de segurança do Rio de Janeiro por sua infeliz declaração que desmascarou o Estado. Sinto-me honrado por tê-lo nesse combate ao lado do bom senso, da ética e da Democracia. Intolero ditadura e ditadores, de maioria ou de minoria, e qualquer passo que conduza à beira desses abismos. Muitos morreram para que hoje pudéssemos votar ou dizer que o Presidente da República é um sábio ou uma besta, dependendo da posição crítica ou ideológica de cada um, ou do preconceito onde ele exista. Por essas razões, para mim não há diferença de pele, de crença, de opção sexual, de classe social, ou outra qualquer: muito menos, claro, econômica e social. O discurso da mídia, sempre fiel como um cão ao seu dono (e certamente não são os pobres), s...

OPERAÇÃO NA FAVELA DA CORÉIA: MODELO LETAL

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OPERAÇÃO NA FAVELA DA CORÉIA: MODELO LETAL Por Paulo da Vida Athos. Quando o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, em 17/10/2007, após o peração em favela que deixou um saldo de 12 mortos, entre eles um menino de 4 anos e um policial civil, e mais 5 policiais feridos, vem a público para afirmar que aquela foi uma “operação que será modelo para combater tráfico” e que a “reação (dos bandidos) não surpreende. Graças ao esforço e profissionalismo da inteligência temos conseguido fazer operações com planejamento. Mesmo assim, acontecem incidentes dolorosos como a gente não quer de forma alguma que ocorra” , creio que sua excelência julga a todos nós como idiotas, ou minimamente destituídos de um mínimo de raciocínio para não reconhecer essa política de segurança letal que está sendo aplicada nas favelas da cidade. Como resultado do “esforço e profissionalismo da inteligência”: ...