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Preciso de um velho ano-novo

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Preciso de um velho ano-novo Preciso de um novo ano que devolva a Vida que ficou numa esquina qualquer do tempo, perdida, a buscar ecos de sonhos e inocência, e de crianças nas ruas despojadas do medo de brincar de ciranda, de ficar sozinha, de alcançar o céu das amarelinhas, de pular corda, de rodar pião, de se apossar das calçadas, de pelada nas ruas, de jogar botão, de namorar a lua. Preciso de um novo ano velho que resgate o entusiasmo de despertar com sorriso no rosto, de me emocionar com barquinhos de papel, com as chuvas de verão, com bolas de gude, de pés no chão, em que seja proibido não se deixar levar pelo encanto do canto dos pardais, de se emocionar com o amor, de se render à paixão. Preciso de um velho-ano novo despido de preconceitos, onde se tente impor amor, não opinião, prevaleça o ser sobre o ter, a liberdade de credo, a disposição do corpo, a deposição do gênero, a ternura eterna. Amém! Um ano novo em que ...

Ciranda e Sonho

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Ciranda e Sonho Alcanço o quintal E o vento desfralda a camisa Aberta em meu peito nu, Enquanto bebo sol E transpiro luz. Um bem-te-vi Bem-me-vê passar Carregando um comboio de sonhos De menino, de moleque sem dono, Cirandando entre estrelas e lembranças De amor, despojado do ter, Embebido no ser Um momento fugaz na memória, Repleta de gnomos, heróis e histórias De amor, de chão e luar. De posse da rua, Cavalgo uma brisa ligeira Com quem brinco de pique-bandeira, De pião, de botão e de roda, Com canções que não saem de moda, Espreitando a chegada da lua, Esperando a menina passar, Enquanto um aperto em meu peito Sentencia o amor imperfeito Que machuca, de tão grande, Tão mar. Mesmo assim minha alma reluta. Não desperta, não quer despertar. E então quando menos espero, Com perfume e luz de luar Ela entra vestido estampado, Pele clara, cabelos dourados, Mel nos olhos e doce nos lábi...