Seres da noite
Seres da noite, Tenho um milhão de anos. Na verdade, um pouco mais. O breu das tavernas e dos covis não me abalam, assim como não me seduz o sorriso fácil nem e a gentileza dos boçais. Não me iludem. Não me enganam. Caminho e as ruas e calçadas me são familiares. Suas sombras são extensões de minhas sombras que vão mergulhando nas sombras dos becos, nas fumaças dos botecos, nas canções feitas de versos que vão cirandando no cais. A noite é território sagrado. Os seres da noite são sensíveis, são educados. Conhecem regras e rítimos que tangenciam seus perfumes e mistérios. Não conhecem o arrependimento, porque não existem pecados, pois na noite não existem anjos, nem diabos. Existe o inexprimível e o inesperado, nesse território de putas, malandros, otários e viados, que ganha vida entre o último e o primeiro raio do sol que beija o paredão do cais. Geralmente é à noite que a Morte vem convidar para a última valsa: homem ou mulher, criança ou ve...