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Ao meu irmão de verso e de cruz

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Ao meu irmão de verso e de cruz* O vigor físico a gente usa quando tem e pode. O vigor mental, meu irmão querido, é diferente. Quando a batalha depende de vigor físico, que não temos tanto, é mais difícil. Porém difícil não é sinônimo de impossível. Usa-se a experiência, a inteligência. Primeiro para saber se uma batalha física deve - e pode - ser enfrentada. E então tomar a decisão mais acertada. Quanto a batalha é mental, intelectual, não física, aí discordo! O vigor mental não se exaure enquanto não nos rendemos. Essa é a questão. Muitas vezes nos rendemos para nós mesmos, e não se abandona o jogo antes do apito final. Nessa batalha mental em que enfrentamos monstros interiores - às vezes alguns querendo se exteriorizar - não concordo com exaurimento de vigor, de força mental, sem nossa permissão. Olhe para trás. Veja quantas foram as batalhas. Olhe para dentro de você, veja suas cicatrizes interiores. Cada uma é...

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com coração enorme como ele, um coração que se preocupa com a injustiça, com o cara que está na rua sem teto, com o mendigo que cata resto de comida nas lixeiras da cidade, com o futuro das crianças, com a solidão dos velhos, com as vítimas da violência, da fome, dos que tiveram suprimida a esperança. Conhecer meu filho é conhecer a essência do humanismo, a pureza das crianças, o onirismo dos idealistas, a nobreza de um guerreiro nagô. Meu filho é um homem especial, um ser humano incrível, uma pedra valiosa e rara. Os problemas mais complexos ele consegue equacionar numa ação que muitos levam anos, décadas para compreender: vivendo. Ele me ensinou que viver nem sempre é mergulhar na vida da forma como compreendemos, ansiosos, como aprendi com meus avós, nos tornando náufragos na ansiedade que se transforma em mar. Para ele, viv...