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Cativos

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Cativos Não é preciso muito mais que um teu olhar, apenas, para habilitar-me à vida. Desvivo em tua ausência! Como luar de lua nova, como verso sem rima, verso não lido jogado fora. Gosto de tatear teu rosto com meu olhar, como se avistasse um quadro de perfeição impressionista. Um Monet, um Renoir, emoldurado em minha memória para expô-lo em vaidade ao meu amor. Sim, expor a ele, culpado isolado de tudo que me contenta e da maldição que me atormenta. Sim, ele, o algoz, aquele que me torna taciturno, amaldiçoado, pedinte em teu afastamento, imponente quando a teu lado, expor a ele que o que me cativou, teu rosto, primeiro o escravizou, para depois deixar-me escravizado. Somos reféns de ti... Arrastamos o grilhão dos condenados: ele ri de mim, eu o amaldiçoo, eu o menosprezo, ele me consome nesse ritual sem nome, desesperado, no qual ressuscito mil vezes, para poder morrer ...