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A Democracia Sangra

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A DEMOCRACIA SANGRA Por Paulo da Vida Athos. Esse momento é hipnótico. Todos estão concentrados nele. Claro que ele é importante. Por ele muito se lutou. Alguns morreram e outros mais desapareceram, mas o importante é que chegamos. Não olho para trás com amargor. Olho para o passado como quem olha para um Mestre e olho com carinho os meus mestres. Sempre tratei bem minhas dores, como hóspedes queridas; o melhor prato, a cama mais macia. Como retribuição, sempre se demoraram pouco e, quando se foram, em mim deixaram o perfume da experiência e não a essência amarga da revolta. Todos estão inebriados por essa festa. Tão absorvidos que não se dão conta de que a Democracia sangra. Quis assim o Destino, que as eleições para quem vai presidir a República ou governar alguns Estados fossem para o segundo turno; quis mais esse deus tresloucado e mitológico: que tal se desse no mesmo mês em que se comemora entre ...

Homens e animais

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Por Paulo da Vida Athos. Exceto se crermos que houve uma conspiração geral que deliberadamente permitiu o confronto entre traficantes da Rocinha e traficantes invasores, para que se matassem, conspiração essa que envolveu todas as áreas e níveis do sistema de segurança, o que nos lançaria ao caos, temos que concluir que na verdade não temos uma política pública de segurança no Estado. Segundo se noticiou, a invasão era de conhecimento era de conhecimento da Secretaria de Segurança, do comando da PM, da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e da 15.ª DP (Gávea). O subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança, coronel Romeu Antonio Ferreira teria dito que na sexta-feira dia 10de fevereiro ligou para o coronel Pitta, chefe do Serviço Reservado da PM (PM-2) no QG da corporação, informando que traficantes de várias favelas planejavam invadir a Rocinha antes do carnaval. A informação foi repassada ao 23.º BPM (Leblon) e a todas as unidades opera...

Ecos da Jovelina no lamento da rocinha

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por Paulo da Vida Athos Qando em meados de 1988, apadrinhado por Denis da Rocinha (Denis Leandro da Silva) que se encontrava preso, Ednaldo de Souza, o Naldo, para anunciar seu reinado do alto de uma laje de uma das casas, com desassombro desferiu uma rajada para ao ar com a “Jovelina”, sua AK-47, o Rio de Janeiro de então ficou surpreso. Na foto, onde também surgia uma submetralhadora Uzi, estavam: Naldo, Buzunga (Robson da Silva) e Cassiano (Cassiano Barbosa da Silva) para uma pose diante dos fotógrafos. Afinal, para aquele ato Naldo convocara toda a imprensa policial, pois queria deixar claro que não havia cisão entre eles. A cerimônia de posse se deu na Via Ápia, e a imprensa, convidada, se fez presente. Essa foto correu o mundo. Hoje, todos os mencionados estão mortos. No passado, em algum momento na trágica crônica da Rocinha, todos foram donos dela. E o Rio de Janeiro de hoje, certamente, nem se abalaria com tal ato. Depois deles, dezenas de...

Faxina política

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FAXINA POLÍTICA Por Paulo da Vida Athos. Mais uma baixaria, mais um denuncismo contra Lula. Estou cansado. Todos estão cansados. Existe um fragor de batalha no ar, um prenúncio de guerra, de desamor. A gente sente. Violência na cidade e nos campos, no Brasil e no mundo, e a fome crescente, a miséria presente, e as balas perdidas que encontram corpos inocentes de velhos ou meninos (e o que importa se espírito não tem idade?), enquanto a maioria perdida ou revoltada, não sabe o que fazer. Dá uma tristeza danada ver tanta corrupção, e essas gangues todas por aí, de jovens, quase meninos, bailando com a morte, enquanto nossos governos desgovernados e nossos políticos em sua maioria apodrecidos, não são denunciados de forma veemente e imparcial pela mídia. Bem que a mídia poderia ajudar não fosse ela, também, parte integrante do poder desintegrante que está abatendo nossa juventude e seus sonhos, camuflando a verdade intemporal que é a ausência de Justiça Soci...

Nossa parte na barbárie...

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NOSSA PARTE NA BARBÁRIE Por Paulo da Vida Athos Quando os policiais civis Fernando Guilherme Medeiros Queiroz e Luiz Hermes Ferraz Dantas saíram de suas casas para trabalhar em nosso nome, na terça feira passada, dia 27 de dezembro de 2005, não sabiam que perderiam a vida naquela manhã. Ambos foram cruel e covardemente assassinados por um bando que, armado de fuzis e pistolas, “tentavam resgatar um preso na porta do Fórum da Ilha do Governador”, segundo as autoridades. Como de praxe, no discurso de sempre quando nossos policiais são covardemente assassinados, o ilustre secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, disse que houve falha na escolta dos presos e determinou ao chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, que fosse aberta uma sindicância para apurar o caso. Ou seja, como de hábito deixam a casa cair para depois levantar, quando o óbvio seria não permitir sua queda. Ao final, o blá blá blá de sempre. O inquérito? Vai redundar em nada! E por q...

Nòs? Somos os "outros"...

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NÓS? SOMOS “OS OUTROS”... por Paulo da Vida Athos Estamos em mês de festa. Existe no ar algo inebriante que faz nossa alma divagar, que faz com que adormeçamos em sonhos e despertemos em festa. O cerne da felicidade e da realização utópica nos transpassa o coração que dança no fluir de nossa embriaguez. O Natal é lindo, o Ano Novo é lindo, tudo fica mais lindo, até o pôr-do-sol. Tudo fica diferente e mágico. As árvores iluminadas por micro lâmpadas, a fachada dos prédios e das casas, a maior árvore de natal flutuante do mundo! Nós somos o máximo! A vida é o máximo! O ano que vem será o máximo! Tudo pensado assim e vivido assim, como no ano passado e nos outros já passados anos também. O nome disso: esperança. Eu amo a esperança, tanto quanto qualquer um. Conto com ela, como todos nós. Até por que ela será a penúltima que verei morrer antes de mim... Lembro que me despedi de 2004 com amargura. O fato que mais me marcara não ocorrera no Iraque, mas na minha cara, num ba...

Ao Juiz Livingston José Machado? Aplausos!

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Ao Juiz Livingston José Machado?  Aplausos! por Paulo da Vida Athos Quando o Juiz Livingston José Machado, da Vara de Execuções Criminais de Contagem, em Minas Gerais, mandou libertar 16 presos da carceragem do 1º Distrito Policial da cidade, não fez mais que sua obrigação. Tinha o dever legal de assim agir e, se não o fizesse, estaria, ele sim, cometendo um crime em tese: o de prevaricação, que é retardar ou deixar de cumprir ato com relação ao qual tem o dever de ofício de fazer. Para ficar no mínimo. Sua ação: determinou a expedição de alvará de soltura para 16 presos da carceragem do 1º Distrito Policial da cidade. O local tem capacidade para oito pessoas, mas estava com 37. Todos eram condenados por assalto ou homicídio. Só mais não fez por ter sido impedido por determinação superior do Tribunal de Justiça mineiro. Não me espanta sua atitude: todos os presos deveriam ser libertados nas condições em que se encontravam, apinhados como gado e alimentados como porcos, coisa co...